Os preços do cacau seguem sob pressão neste início de 2026, refletindo um cenário de demanda mais fraca nos principais polos consumidores do mundo. Na última semana, os contratos futuros da commodity recuaram e passaram a operar próximos aos menores níveis dos últimos dois anos. Em Nova York, o cacau foi cotado a US$ 5.076 por tonelada, enquanto em Londres os contratos fecharam a £ 3.712 por tonelada.
De acordo com análise da Hedgepoint Global Markets, o principal fator por trás da queda está na retração da moagem — indicador-chave da demanda — nas maiores regiões processadoras do mundo. O movimento tem reforçado a percepção de enfraquecimento do consumo global, após um período de forte valorização dos preços.
Na Europa, maior polo mundial da indústria de cacau, a moagem caiu 8,3% no quarto trimestre de 2025, encerrando o ano com retração acumulada de 6,1%. O recuo também foi observado nas importações líquidas de amêndoas, que diminuíram 5,6% em 2025, com queda ainda mais intensa no último trimestre do ano (-8,9%).
Na Ásia, os dados também apontam desaceleração. A moagem no quarto trimestre recuou 4,82% na comparação anual, com desempenho abaixo do esperado, especialmente na Malásia, um dos principais centros de processamento da região.
Em sentido oposto, a América do Norte apresentou leve crescimento. Dados da Associação Nacional de Confeiteiros indicam que a moagem avançou 0,35% no quarto trimestre em relação a 2024. Nos Estados Unidos, as importações líquidas permaneceram firmes ao longo do ano, somando 238,7 mil toneladas até outubro, contra 42,5 mil toneladas no mesmo período do ano anterior.
Apesar do suporte pontual vindo do mercado norte-americano, o cenário global segue marcado por cautela. A combinação entre preços elevados nos últimos meses e a desaceleração da demanda industrial tem limitado novas altas e mantido o cacau pressionado no mercado internacional, acendendo um sinal de alerta para produtores, indústrias e governos.
