A Venezuela se consolidou como um dos principais destinos do arroz em casca brasileiro na safra 2025/26, com importações que alcançaram cerca de 165 mil toneladas, segundo dados do setor. Esse volume representou uma fatia expressiva das exportações nacionais do cereal, colocando o país vizinho à frente de outros compradores como Senegal e Costa Rica.
Para os arrozeiros brasileiros, especialmente no Rio Grande do Sul, o mercado venezuelano tem sido um importante motor de demanda, ajudando a reduzir estoques domésticos e oferecer alternativas de escoamento em períodos de maior oferta.
No entanto, a trajetória das vendas está cercada de incertezas. A instabilidade política e econômica na Venezuela, agravada por tensões geopolíticas após o ataque dos Estados Unidos ao país, tem levado lideranças do setor a monitorar de perto o cenário antes de definir estratégias mais robustas de exportação.
O presidente da Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz), Denis Dias Nunes, ressalta que a expectativa da cadeia produtiva é a de que o contexto geopolítico não sofra novos sobressaltos e que se alcance maior estabilidade jurídica e econômica, fatores considerados essenciais para ampliar as vendas brasileiras ao mercado venezuelano no médio prazo.
Analistas alertam que essa dependência de um único mercado sensível pode trazer vulnerabilidades, pois qualquer problema logístico, financeiro ou político do lado venezuelano pode impactar a liquidez e pressionar os preços internos do arroz no Brasil. Ainda assim, o país continua sendo um destino importante para o produto nacional no cenário atual.
