A filha mais velha de Chico Mendes, Ângela Mendes, avaliou a transição ocorrida na postura de Gladson Cameli no que se refere à política ambiental. No início do mandato, Gladson fez sucesso nas redes sociais ao dar carão em fiscal do Imac em declaração a agricultores da Transacreana. No sétimo ano de governo, celebra a implementação do instrumento do polêmico Redd jurisdicional.
Essa “transição” é lida por Ângela Mendes como uma espécie de oportunismo, dada a importância da agenda ambiental na liberação de recursos em organismos internacionais que investem recursos promovendo políticas de sustentabilidade.
Quando instigada se o governador havia tido uma postura de conveniência, Mendes afirmou. “Foi uma conveniência. Tudo indica que sim. Ou queira dar a nomenclatura que for”. E concluiu usando uma expressão bem acreana. “Ele não foi besta. Ele foi esperto. Ele sabia onde a pata dormia e foi lá no ninho”.
Há outro fator que, no entendimento de Ângela Mendes, influenciou a agenda acreana: a COP 30. “Com a possibilidade de a COP acontecer no Brasil e o debate global sobre a Amazônia fez com que muitos recursos fossem direcionados. Gladson deve ser esperto e inteligente o suficiente para saber que o que estava em jogo naquele momento e o que está em jogo agora é um movimento global de proteção das florestas tropicais e, principalmente, sobre a Amazônia. E isso quer dizer recursos, né?”, afirmou. “Então, quem é o gestor público que vai abrir mão de acessar os recursos que estão disponíveis, quando o Acre é um Estado que, por causa do seu desempenho, que há pouco tempo atrás evitava o desmatamento, que reduziu o seu desmatamento… claro que no primeiro governo Gladson isso já foi… o desmatamento voltou com força. Mas o recurso está aí…dependendo do desempenho dos Estados”.
