Gente

Do fogão a lenha às redes: influenciadora leva rotina na roça a milhões de pessoas

Por Redação ·
Do fogão a lenha às redes: influenciadora leva rotina na roça a milhões de pessoas
Foto: Guilherme Stutz / Globo Rural

O dia a dia pacato em uma fazenda de dez hectares onde se colhe verduras e frutas pode ser interessante para milhões de pessoas. É o que prova Cleide Ferreira, mais conhecida por Cleide Lifestyle. A produtora rural de Teófilo Otoni (MG) é seguida por mais de 3 milhões de seguidores em suas contas no YouTube, Instagram e TikTok.
A influenciadora ganhou notoriedade por filmar e publicar o seu dia a dia de cultivo e plantio de frutas como banana, goiaba, laranja, abacaxi, cacau e hortaliças como brócolis, cenoura, vagem e mandioca. Mas principalmente, transformar seus ingredientes em receitas feitas no fogão a lenha, o que traz conforto ao espectador.
Segundo ela, o seu público vai desde crianças que gostam do contato com a natureza e animais, passa por adultos que querem realmente plantar e vão atrás de dicas rurais, e até idosos que assistem pela nostalgia do tempo em que viviam na roça. “Outro dia eu colhi amendoim e ficaram surpresos, porque não sabiam que dava debaixo do chão”, brinca.
E toda sua produção tem um destino. Uma parte fica para o consumo interno, porém a maior fatia é para venda para merenda escolar, cooperativas, feiras e ceasas. “É legal ter nosso nome na produção, mas não conseguimos escalar. É feita pela agricultura familiar”. Dos 10 hectares, somente três são produtivos.
Antes de Teófilo Otoni, a empresária morava na capital Belo Horizonte e trabalhava como advogada. Porém, após se casar com seu marido Lauriano em 2007, de família alemã e origens rurais, sua vida mudou de rumo.
Após o nascimento do seu primeiro filho em 2012, Cleide largou a advocacia e passou a dedicar seu tempo a Gustavo, que teve um diagnóstico de autismo. “Tive tempo com ele, pesquisei sobre autismo e larguei o escritório. Passei a ajudar meu marido na roça”.
Cleide conta que a vida rural sempre auxiliou na criação dos seus filhos. “Eles participam, mas são crianças que gostam de coisas normais. Com o Gustavo, tem que ser tudo bem cheio de regrinhas. Plantar todas as fileiras e pronto”, comenta. Já Giovanna, a filha mais nova, adora acompanhar o pai na lida. “Ela é bem mais solta. Quer calçar a bota e ajudar o papai, e às vezes ela nem pode”.
A produtora nunca pretendeu virar uma “blogueira do campo”, porém a relação do seu marido com a agricultura familiar, os cuidados especiais com seu filho e o nascimento da sua segunda filha no início da pandemia a levaram a uma rotina diferente do que estava acostumada.
E de uma ideia da sua cunhada, que mora na capital e queria ver a rotina na roça, Cleide começou a gravar. “Construí um fogão a lenha, e deu um trabalhão para fazer…”. No início, a timidez era tanta que ela gravava apenas as mãos durante o preparo dos alimentos.
Segundo ela, existe um movimento de pessoas da cidade querendo comprar sítios para gravar vídeos, e ela afirma: “Não compensa. O sítio tem que produzir, senão dá prejuízo. Eu gravo, mas rentabilizamos tudo que produzimos”.
Cleide vislumbra no futuro a sua própria marca: o ‘Paiol da Cleide’. A ideia é que o negócio seja impulsionado pelas suas redes para vender produtos coloniais, doces, chocolates e livros para crescer no YouTube. “Quando faço uma goiabada, as pessoas assistem e querem comer, mas não consigo vender para elas. Eu pretendo chegar até a casa dessas pessoas com meu produto”.

Com informações de Globo Rural.

Compartilhe esta notícia
Enviar no WhatsApp
Siga o AC24 Agro
VC Repórter
Flagrou algo no campo? Mande sua pauta ou denúncia pra gente.
(68) 99950-7016

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *