Meio Ambiente

Apenas 1,8% dos imóveis rurais do país desmatou em 2025

Decisão dos produtores agrícolas de não desmatar ano passado trouxe uma queda de 41,8% no desmatamento da Amazônia e de 23,8% no Cerrado

Por Itaan Arruda · · Atualizado em
Inpe mostrou que apenas 1,8% dos imóveis rurais do país desmatou entre agosto de 2025 e julho de 2026, comparado aos últimos 12 meses. (Vinícius Mendonça/Ibama)

O desmatamento na Amazônia caiu 41,8%. No Cerrado, também houve redução de 23,8%. Os dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais referem-se ao período de agosto de 2025 e julho de 2026, comparado aos últimos 12 meses. A análise dos números foi feita pelos ministros do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco; da Casa Civil, Miriam Belchior; e da Agricultura e Pecuária, André de Paula.

Durante a análise dos dados, um momento raro em relação aos números do desmatamento no país. “Nós nos acostumamos a, genericamente, culpar o produtor rural e o agronegócio pelo desmatamento. Mas nós estamos mostrando que essa realidade mudou. Mudou muito. De 8,5 milhões [de imóveis rurais], o desmatamento aconteceu em apenas 1,8% dos imóveis rurais. A imensa maioria (sic) dos produtores rurais não desmatou no último ano”, admitiu Capobianco, um tradicional crítico à atividade pecuária.

“Quantas vezes não ouvimos essa frase de que é impossível obter o desmatamento zero? Estamos trazendo resultados concretos para os biomas Amazônia e Cerrado”. Para o ministro, os números apresentados pelo Inpe são “um sonho para ambientalistas como eu”, reconheceu.

O Ministério do Meio Ambiente associa o resultado da queda do desmatamento como consequência de três pilares. O primeiro pilar é a Ciência (com a infraestrutura de monitoramento e as pesquisas); o segundo a Democracia (com a transparência na divulgação dos dados e a participação da sociedade civil organizada por meio dos conselhos) e o terceiro o Pacto Federativo (com a inclusão dos governos estaduais e prefeituras no combate ao desmatamento).

“Houve uma coordenação ministerial eficaz para contribuir com esse resultado. Houve cooperação com estados e municípios e participação da sociedade. Foi um jogo de ganha-ganha. Todo mundo trabalhou”, analisou a ministra da Casa Civil, Miriam Belchior.

Os ministros não relacionaram a queda no desmatamento à adição de tecnologia no campo por parte do agricultor e do pecuarista. Os especialistas que lidam com a agropecuária associam diretamente o investimento em tecnologia com aumento da produtividade e consequente redução da pressão por ampliação de área produtiva.

O ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, ainda esboçou algum argumento sobre o papel do produtor. Mas preferiu pontuar as consequências positivas para os produtos brasileiros com a queda do desmatamento em duas regiões estratégicas para projetar o país no mercado internacional. “Esse é um passaporte para entregar os produtos brasileiros. Sem esses números, seria muito difícil comercializar os produtos brasileiros no mundo”.

 

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