A equipe do Programa de Educação Tutorial da Faculdade de Economia da Ufac (PET Economia) mostrou o comportamento da inflação durante o mês de setembro de 2026 por meio do Sistema de Monitoramento da Inflação, criado pelo grupo. Os dados mostram que energia elétrica e carne “puxaram” a inflação em Rio Branco para cima, embora a Capital tenha fechado o mês com IPCA de 0,53%, abaixo da média nacional (0,82%).
Rio Branco teve o menor índice entre as dezesseis capitais e regiões metropolitanas pesquisadas pelo IBGE. “O resultado segue a mesma direção do país, que voltou a subir depois da deflação de agosto: o Brasil passou de −0,32% para 0,82%, e Rio Branco, de −0,17% para 0,53%”, contabiliza o PET Economia, em boletim oficial.
“A virada teve dois motores. O primeiro foi o fim do bônus de Itaipu, que devolveu a conta de luz ao valor cheio. O segundo foi a carne, que subiu de novo e já acumula alta de 13,55% em doze meses”, informa o Programa de Educação Tutorial. As passagens aéreas tiveram queda de 14,13%. Isso, de acordo com o grupo da Ufac, “segurou o índice local”.
Quem fez os preços subirem?
Três grupos responderam pela alta do mês: Alimentação e bebidas (0,27 ponto percentual), Habitação (0,22) e Vestuário (0,11). Juntos, somaram 0,60 ponto, valor acima do próprio índice de 0,53%. Ou seja, sem as quedas em Transportes e Artigos de residência, a inflação de Rio Branco teria sido maior.
No nível dos itens, a energia elétrica residencial liderou com folga. A tarifa subiu 3,41% e, por pesar 5,85% no orçamento das famílias, acrescentou 0,20 ponto percentual ao índice, cerca de 38% da inflação do mês. Não se trata de reajuste novo. Em agosto, o bônus de Itaipu havia derrubado a conta em 5,92%, e em setembro o desconto saiu da fatura. O mesmo vaivém ocorreu em 2025, com queda de 5,66% em agosto e alta de 7,86% em setembro.
A carne é o vilão persistente. O item subiu 3,03% no mês, contra 0,63% no Brasil, e contribuiu com 0,15 ponto percentual, cerca de 29% do IPCA local. Dos 14 cortes pesquisados, 12 ficaram mais caros, com destaque para o contrafilé (+5,41%, impacto de 0,08 ponto). A pressão vem do produtor: o boi gordo subiu 5,78% em setembro, em plena entressafra, e as exportações acrianas de carne bovina cresceram 77,8% entre janeiro e agosto, enquanto os abates caíram 13,6% de julho para agosto. Sobrou menos carne para o mercado local. Somadas, energia e carnes explicaram 0,35 ponto, cerca de dois terços da inflação de setembro.
Entre os alimentos, as maiores altas percentuais foram as do limão (+32,91%), do tomate (+25,34%) e da farinha de mandioca (+13,93%). O limão, apesar da maior variação, contribuiu com apenas 0,02 ponto, sinal de peso pequeno na cesta. Em Vestuário, a alta de 1,56%, mais que o dobro da média nacional, concentrou-se em roupas masculinas, como camisa e camiseta (+3,21%).
O relatório completo do PET Economia pode ser acessado em: https://zenodo.org/records/23283866
