O Acre ampliou em 27% a área de floresta derrubada nos oito primeiros meses de 2026. Segundo boletim do Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD), do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), divulgado nesta terça-feira (29), o estado perdeu 253 quilômetros quadrados de mata entre janeiro e agosto, contra 199 km² no mesmo período de 2025.
O crescimento acreano supera em muito a média da Amazônia Legal, onde o desmatamento acumulado subiu apenas 2% no mesmo intervalo, de 2.015 km² para 2.053 km². Com o resultado, o Acre ocupa a quarta posição entre os nove estados da região e responde por cerca de 12% de toda a área derrubada no ano.
À frente do Acre estão somente Pará (624 km²), Mato Grosso (477 km²) e Amazonas (394 km²). Os dois últimos, no entanto, reduziram o desmatamento em 7% e 27%, respectivamente. Rondônia, vizinha do Acre, teve queda de 49%.
O peso do Acre fica ainda maior no recorte de agosto. No mês, o estado concentrou 24% de todo o desmatamento detectado na Amazônia Legal e ficou atrás apenas do Pará, com 38%. Amazonas (20%), Mato Grosso (9%), Maranhão (3%), Rondônia (3%) e Roraima (3%) completam a lista.
Em toda a região, agosto registrou 463 km² de floresta derrubada, alta de 19% em relação aos 389 km² do mesmo mês de 2025.
Na degradação florestal, causada por fogo e extração de madeira, o Acre teve participação menor. O estado respondeu por 3% da área degradada na Amazônia em agosto. No acumulado do ano, a degradação caiu 72% na região, de 2.744 km² para 779 km².
Para a pesquisadora do Imazon Raíssa Ferreira, o país ainda tem desafios para cumprir o compromisso assumido. “Olhar a série histórica é muito importante para entendermos que o Brasil já conseguiu reduzir significativamente a derrubada da floresta amazônica, mas ainda precisa de mais esforços para atingir a meta de desmatamento zero até 2030”, afirmou.