Números

Norte e Acre enfrentam lacunas em dados sobre biodiversidade, aponta IBGE

Nova avaliação mostra crescimento de 65% nos registros de espécies no Brasil, mas destaca que a Região Norte segue entre as áreas menos conhecidas do país

Por Redação ·
Foto: Reprodução.

A Região Norte, incluindo estados amazônicos como o Acre, ainda enfrenta grandes lacunas no conhecimento sobre a biodiversidade, apesar do avanço no número de registros de espécies catalogadas no Brasil. Os dados fazem parte da Avaliação dos Dados sobre a Biodiversidade Brasileira – 2025, divulgada nesta terça-feira (26) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O levantamento aponta que o país alcançou 37,5 milhões de registros de ocorrências de espécies entre 2022 e 2025, crescimento de 65,49% no período. Mesmo com a ampliação dos dados, o estudo mostra que extensas áreas da Região Norte, especialmente nos estados do Pará e Amazonas, continuam com deficiência de informações sobre fauna e flora.

Segundo o gerente de Meio Ambiente e Geografia do IBGE, Leonardo Bergamini, a avaliação é fundamental para orientar políticas públicas e ações de conservação ambiental. Ele destaca que integrar dados sobre espécies, habitats e impactos humanos ajuda a identificar áreas prioritárias para proteção e adaptação às mudanças climáticas.

A pesquisa analisa informações de nove grupos taxonômicos, entre eles aves, mamíferos, peixes, anfíbios, répteis, fungos e plantas. Em 2025, os maiores volumes de registros no Brasil foram observados em aves, com mais de 19 milhões de ocorrências, seguidas por plantas e artrópodes.

O estudo também aponta o crescimento da chamada Ciência Cidadã, com participação de observadores e plataformas colaborativas, que hoje respondem por quase metade dos registros disponíveis no país. No caso das aves, essa contribuição chega a 93,84%.

Apesar dos avanços, o IBGE alerta para problemas persistentes, como ausência de coordenadas geográficas, redundância de dados e falhas na identificação taxonômica. Cerca de 9,45 milhões de registros ainda apresentam limitações relacionadas à localização.

Outro ponto destacado pela publicação é a desigualdade regional no conhecimento da biodiversidade. Enquanto áreas do Sudeste e do litoral brasileiro concentram os maiores níveis de informação, municípios da Amazônia ainda possuem poucos registros catalogados.

A avaliação reforça a necessidade de ampliar pesquisas, investimentos e acesso aos dados ambientais na Região Norte, considerada uma das áreas de maior biodiversidade do planeta, mas ainda pouco documentada em diversas regiões.

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