O mercado de hortaliças em Rio Branco acompanhou o movimento nacional de redução na oferta em fevereiro, com impacto direto nos preços de produtos importantes para o consumo local. Dados analisados pela Conab indicam que o volume total comercializado nas Centrais de Abastecimento (Ceasas) caiu 8,1% em relação a janeiro, cenário que também refletiu na capital acreana.
Entre os produtos com comportamento específico em Rio Branco, o tomate apresentou queda expressiva de preços. Na Ceasa local, o recuo foi de 21,31% em fevereiro, mesmo diante de uma redução de 7,6% na oferta nacional. O movimento contrasta com parte do país, onde houve alta média de 5,2%, e indica um ajuste local possivelmente influenciado pela dinâmica de abastecimento e qualidade do produto.
Já a cebola seguiu caminho oposto e registrou forte valorização na capital acreana. Em fevereiro, os preços subiram 18,95% na Ceasa de Rio Branco, mesmo com queda média nacional de 5,52%. O comportamento reflete variações regionais no abastecimento, especialmente diante da concentração da oferta em Santa Catarina e da queda na qualidade do produto ao longo do mês.
No cenário geral, a retração no volume comercializado foi puxada principalmente pelo grupo de hortaliças como batata, cenoura e outros tubérculos, que respondem por cerca de 60% do total. Esse segmento teve queda de 10,6% e acabou influenciando toda a cadeia de abastecimento.
As condições climáticas tiveram papel central nesse movimento. As chuvas nas principais regiões produtoras dificultaram a colheita, reduziram a qualidade dos produtos e limitaram o envio para os centros consumidores. Ao mesmo tempo, o calor elevou a demanda por hortaliças, pressionando os preços.
Esse cenário também afetou produtos como a alface e a cenoura, que registraram elevação de preços em diversas Ceasas do país, impulsionadas pela menor oferta e maior consumo. No caso da cenoura, embora a média nacional tenha apresentado leve queda, os preços começaram a subir no final de fevereiro e seguem em alta em março.
Para os próximos meses, a tendência é de continuidade da pressão sobre os preços. A transição entre safras e a redução da oferta, especialmente de produtos como tomate e batata, devem manter o mercado aquecido. Em março, já foram registradas novas altas em diferentes Ceasas, indicando que o consumidor pode continuar sentindo o impacto no bolso.
Em Rio Branco, o cenário deve seguir atrelado às oscilações nacionais, mas com variações próprias, dependendo do volume de abastecimento e das condições logísticas, fatores que historicamente influenciam o comportamento dos preços na região Norte.
