Alta nos fertilizantes acende alerta para o Plano Safra 2026/2027

Com aumento de 20% nos gastos com importação, produtores entram mais cautelosos nas compras e reforçam demanda por crédito e seguro rural

Redação
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Reajuste nos fertilizantes em janeiro sinaliza possível aumento nos custos da próxima safra e preocupa produtores rurais. Foto: Reprodução.

O aumento no custo dos fertilizantes voltou a pressionar o bolso do produtor brasileiro e acendeu um novo alerta para a construção do Plano Agrícola e Pecuário (PAP) 2026/2027. Em março, os gastos com a importação desses insumos subiram cerca de 20%, mesmo com queda no volume adquirido, evidenciando um cenário de maior custo e menor acesso a produtos.

Na prática, o produtor está pagando mais caro por menos fertilizante. O Brasil deve fechar o mês com cerca de 7 milhões de toneladas importadas, contra quase 7,9 milhões no mesmo período do ano passado, enquanto o desembolso saltou de US$ 2 bilhões para US$ 2,4 bilhões.

Esse movimento, impulsionado por tensões geopolíticas e instabilidade no mercado internacional, já impacta diretamente o planejamento da próxima safra e reforça as demandas do setor por políticas públicas mais eficientes — especialmente nas regiões mais dependentes de insumos importados, como a Região Norte.

Foi nesse contexto que a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) iniciou, nesta terça-feira (24), pela Região Norte, a rodada de encontros para discutir propostas ao novo Plano Safra. A escolha da região não é por acaso: além dos custos logísticos elevados, produtores amazônicos enfrentam mais dificuldade de acesso ao crédito e menor oferta de produtos financeiros adequados à realidade local.

Durante o encontro, representantes das federações destacaram que o encarecimento dos insumos, somado ao aumento do endividamento rural e à restrição de crédito, tem reduzido a capacidade de investimento no campo. Muitos produtores, inclusive, já recorrem a financiamentos privados, com juros mais altos, para garantir o custeio da produção.

Outro fator que agrava o cenário é o aumento da inadimplência no crédito rural, que atingiu 13,47% em janeiro de 2026 — o maior nível da série histórica. Isso tem levado instituições financeiras a endurecer exigências, dificultando ainda mais o acesso aos recursos.

Diante desse quadro, o setor produtivo defende como prioridade para o próximo Plano Safra o reforço no seguro rural, ampliação do crédito com condições mais acessíveis e a criação de instrumentos de gestão de risco mais eficazes.

Além disso, na Região Norte, entram na conta entraves estruturais como regularização fundiária e questões ambientais, que seguem como barreiras para a liberação de financiamentos.

A rodada de debates seguirá nas demais regiões do país, e as propostas serão consolidadas em um documento que será entregue ao governo federal como base para o Plano Safra 2026/2027, previsto para começar em julho — em um cenário cada vez mais desafiador para o produtor brasileiro.

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