Andrea Alechandre: “Uma floresta pobre tem uma população pobre”

A coordenadora do Projeto Esperançar não se esquivou em tratar de temas polêmicos. Mesmo sem negar a cultura do “agro”, defendeu a ideia da sustentabilidade também como um elemento cultural que precisa ser preservado

Itaan Arruda
Andrea Alechandre falou da relação entre o fator "Cultura" e o vetor "Economia". (Foto: Whisley Ramalho)

Andrea Alechandre, coordenadora do Projeto Esperançar, não se esquivou de polêmicas na entrevista que concedeu neste domingo no agro24cast. Resultado da escuta junto aos próprios moradores da Reserva Extrativista Chico Mendes, o projeto relaciona Meio Ambiente e Cultura.

A partir dessa referência, a coordenadora Alechandre fez relações diretas entre a Cultura e a Economia quando falou “uma floresta pobre tem uma população pobre”. É um raciocínio que trata da necessidade de defesa e preservação da sociobiodiversidade como um vetor de importância econômica. O que sugere raciocinar o inverso do que foi dito pela coordenadora: “uma floresta diversa envolve uma população rica”.

E a “riqueza”, neste sentido, não guarda relação exclusiva com a riqueza monetária. “Aprendi com o Professor Rêgo [José Fernandes do Rêgo, vice-governador na gestão de Joaquim Macêdo e secretário de Planejamento de diversas administrações] que o seringueiro não é apenas uma profissão. Seringueiro é um modo de vida. É a forma de se relacionar com a natureza, com a floresta, com os animais, com os símbolos religiosos que eles têm”.

“Nos encontros, muitos dos moradores disseram que não sabiam que aquilo que eles tinham de história, que o saberes que eles acumularam ao longo dos anos, eles não sabiam que aquilo tinha valor”, lembra a coordenadora. “Isso toca o coração da gente e, ao mesmo tempo, nós nos sentimos em dívida com eles”.

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