Quando o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) publicou na última quinta-feira (19) uma instrução normativa classificando o pirarucu como espécie exótica invasora fora de sua área natural… pronto! Foi dada a senha para uma série de alarmes sem sentido.
A reação automática em muitas postagens e fake news foi satanizar o instituto, como se ele estivesse “proibindo de produzir pirarucu” de forma indiscriminada. Isso tudo acompanhado, claro, do mantra de “criminalização do produtor” etc. etc. Nada mais cansativo.
Para simplificar e facilitar a comunicação, é preciso lembrar algumas coisas. Primeiro: o pirarucu é originário de onde? Da Amazônia ou do Tibet? Da Amazônia ou do Nordeste brasileiro? Da Amazônia ou de São Paulo? Quem tem a mínima vivência no trato desse bicho sabe que ele não é de brincadeira. Ele está no topo da cadeia alimentar dos rios. Devora tudo. E adapta-se a diferentes ambientes aquáticos com alguma facilidade.
Falando de um modo bem elementar: o que quer o Ibama? Inicialmente, quer colocar ordem e alertar que uma fera dessas não pode ser criada a torto e a direito. Caso contrário, ela pode causar desequilíbrio. E isso não é bom nem para o meio ambiente e nem para o bolso de ninguém. É isso o que o Ibama quer: ajustar, ordenar, organizar, levando em conta as especificidades de uma espécie muito peculiar.
Quem propõe o que entra ou não na “Lista Nacional Oficial de Espécies Exóticas Invasoras” não é o Ibama estritamente. Quem faz isso é a Comissão Nacional de Biodiversidade (CONABIO). O Ibama é uma das instituições que integra a comissão. Só com essa informação, metade das fake news produzidas iria por água abaixo.
O Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA) divulgou uma nota semana passada em que deixa claro o compromisso com a sustentabilidade e com o desenvolvimento sustentável, mas que isso não pode acontecer em detrimento dos aspectos econômicos envolvidos.
“O MPA manifestou preocupação com os potenciais impactos econômicos e sociais decorrentes da inclusão, nessa lista, de espécies amplamente utilizadas na aquicultura brasileira, como a tilápia, o tambaqui, o pacu, o pirarucu, o camarão-marinho (Litopenaeus vannamei), a ostra do Pacífico e a macroalga Kappaphycus alvarezii“, diz a nota.
Isso evidencia que dentro do próprio Governo Federal há freios e contrapesos em busca de uma solução. Por isso, não há espaço para alimentar um cenário de caos onde o que se quer buscar é, na verdade, equilíbrio. Não é possível que representantes do setor produtivo alimentem a desinformação e a cultura do pânico no ambiente de negócios. É ruim para todos.
Aqui no Acre, observa-se essas movimentações todas de forma marginal, periférica. Não apenas porque a representação do Ministério da Pesca e Aquicultura por aqui é omissa e ausente. Mas, sobretudo, porque a nossa produção de pirarucu é quase residual. Havia um excelente trabalho feito com comunidades rurais de Manoel Urbano pela então Secretaria de Estado de Agricultura e Produção Familiar (Seaprof). Não houve continuidade. E a Peixes da Amazônia (quem diria?) deu em nada. O Acre torce para, ao menos, voltar a fazer parte da cena sobre a produção de pirarucu.
