Agro cresce 11,7% e puxa PIB do Brasil para alta de 2,3% em 2025

Setor responde por um terço da expansão da economia e atinge maior participação da história no PIB

Redação
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O forte desempenho da agropecuária foi decisivo para o crescimento da economia brasileira em 2025. Com alta de 11,7%, o setor impulsionou o Produto Interno Bruto (PIB), que avançou 2,3% no ano e alcançou R$ 12,7 trilhões, segundo dados das Contas Nacionais.

A agropecuária teve o segundo melhor resultado da série histórica, ficando atrás apenas de 2023, quando o crescimento foi de 15,1%. Sem a contribuição do setor, o avanço do PIB brasileiro teria sido de apenas 1,5%, o que evidencia o peso do campo na economia nacional.

Com isso, a participação da agropecuária no PIB chegou a 7,5%, o maior nível desde o início da série, em 1996. Enquanto isso, outros setores apresentaram crescimento mais moderado, como os serviços, com alta de 1,8%, e a indústria, que avançou 1,4%.

Pela ótica da demanda, o crescimento econômico foi sustentado principalmente pelo setor externo, com aumento de 6,2% nas exportações, impulsionadas pela agropecuária, petróleo e indústria automotiva. A Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) cresceu 2,9%, mas em ritmo inferior ao de 2024, refletindo o impacto dos juros elevados sobre os investimentos.

O consumo das famílias, principal componente do PIB, teve alta de 1,3% em 2025, desacelerando em relação ao avanço de 5,1% registrado no ano anterior. Já o consumo do governo cresceu 2,1%.

No recorte trimestral, o PIB brasileiro avançou 0,1% no quarto trimestre de 2025 em relação ao trimestre anterior e teve alta de 1,8% na comparação com o mesmo período de 2024.

No campo, o desempenho foi puxado principalmente pela agricultura, com destaque para culturas como soja e milho. Dados do IBGE mostram crescimento expressivo na produção de diversas lavouras, como milho (+23,6%), soja (+14,6%), laranja (+28,4%), café robusta (+22,9%), arroz (+19,4%) e algodão (+11,4%).

O avanço é atribuído, em grande parte, à recuperação da produtividade após problemas climáticos registrados em 2024, além da demanda externa aquecida.

A pecuária também contribuiu para o resultado positivo. O abate de bovinos cresceu 7,6% no ano, alcançando recorde de 42,7 milhões de cabeças. Suínos e frangos também registraram crescimento, de 3,4% e 2,7%, respectivamente, ambos em níveis recordes.

Apesar do cenário favorável em 2025, a expectativa para 2026 é de crescimento mais moderado da agropecuária, estimado em cerca de 1,2%. A desaceleração é explicada pela base elevada de comparação e por incertezas no cenário econômico.

Entre os principais riscos estão fatores climáticos, tensões geopolíticas e o ambiente doméstico, marcado por juros ainda elevados e maior volatilidade em função do calendário eleitoral.

Além disso, a possível queda nos preços de commodities agrícolas pode pressionar a renda dos produtores ao longo do ano, exigindo maior atenção às políticas agrícolas e ao financiamento do setor.

Mesmo diante dos desafios, o desempenho recente reforça o papel da agropecuária como um dos principais motores da economia brasileira, com impacto direto no crescimento, nas exportações e na segurança alimentar.

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