MPF firma acordos para compensar danos a geoglifos amazônicos no Acre

Medidas incluem proteção dos sítios arqueológicos e cadastramento de 400 áreas no estado; fiscalização contou com apoio do MPAC

Redação
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Ação foi provocada após registro de danos ao patrimônio histórico feito pelo Iphan e pelo Ministério Público do Estado do Acre. (Foto: Diego Gurgel/Secom)

O Ministério Público Federal (MPF) firmou acordos nas esferas cível e penal para reparar e compensar danos causados a sítios arqueológicos do tipo geoglifo localizados no Acre. As medidas foram estabelecidas em conjunto com o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) após a identificação de intervenções em áreas no município de Senador Guiomard, próximo a Rio Branco, onde se situam os geoglifos “Fazenda Missões” e “Nakahara 73”, bens arqueológicos protegidos pela legislação brasileira.

A constatação dos danos ocorreu durante fiscalização realizada por equipes técnicas do Iphan e do Ministério Público do Estado do Acre (MPAC). A vistoria identificou alterações nas estruturas arqueológicas, incluindo o nivelamento de valetas e muretas que compõem os geoglifos, em decorrência de intervenções no solo para atividades agrícolas, especialmente o plantio de soja.

Reparação e preservação – Para assegurar a responsabilização e a reparação dos danos, foram firmados dois instrumentos jurídicos: um termo de ajustamento de conduta (TAC), na esfera cível, e um acordo de não persecução penal (ANPP), no âmbito criminal.

Entre as medidas previstas está a execução de um Programa de Gestão do Patrimônio Arqueológico, com ações de delimitação, cercamento e sinalização dos geoglifos afetados. O programa também prevê atividades de educação patrimonial e a possibilidade de realização de pesquisas científicas e visitas educativas nos locais, sob coordenação do Iphan.

Os acordos também determinam a averbação da existência dos geoglifos nos registros imobiliários das áreas onde estão localizados, para reforçar a proteção jurídica desses sítios arqueológicos.

Além disso, foi estabelecida a realização do cadastramento de 400 sítios arqueológicos no Acre, com identificação, georreferenciamento e inserção das informações no Sistema Integrado de Conhecimento e Gestão do Iphan. A iniciativa busca ampliar o conhecimento sobre o patrimônio arqueológico regional e fortalecer os mecanismos de monitoramento e preservação dessas áreas.

Cooperação institucional – Os geoglifos amazônicos são grandes estruturas geométricas formadas por valetas e muretas construídas por povos originários da região e integram o patrimônio cultural brasileiro. A atuação conjunta entre MPF, Iphan e MPAC evidencia a importância da cooperação institucional para a proteção do patrimônio arqueológico e para a responsabilização e a reparação de danos a bens culturais de relevância histórica.

(Texto da Assessoria de Imprensa do Ministério Público Federal no Acre)

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