Faturamento de máquinas agrícolas cai 7% em seis meses

Queda na renda do produtor, juros altos e crédito mais restrito reduzem investimentos em equipamentos no campo

Luiz Eduardo Souza
Pesquisa da ABMRA aponta que 72% dos produtores rurais brasileiros já adotam práticas de produção sustentável. Foto: Reprodução.

O faturamento do setor de máquinas e implementos agrícolas no Brasil caiu 7% nos últimos seis meses na comparação com o mesmo período do ano passado, sinalizando desaceleração na demanda por equipamentos no campo. Os dados foram apresentados nesta sexta-feira (13) durante reunião de associados realizada na Expodireto Cotrijal, no Rio Grande do Sul.

De acordo com a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), o desempenho negativo já havia aparecido no início do ano. Somente em janeiro, o faturamento do setor registrou queda de 15,6% em relação ao mesmo mês de 2025.

Segundo o presidente da Câmara Setorial de Máquinas e Implementos Agrícolas da entidade, Pedro Estevão Bastos, a retração é resultado de uma combinação de fatores econômicos que têm pressionado o setor produtivo. Entre os principais estão o aumento da inadimplência no campo, maior rigor na concessão de crédito, taxas de juros elevadas e queda nos preços das commodities agrícolas.

Com margens mais apertadas e maior incerteza no mercado, os produtores rurais têm priorizado gastos considerados essenciais para manter a atividade. Nesse cenário, a compra de insumos agrícolas acaba ficando à frente da renovação de máquinas e equipamentos, que tende a ser adiada.

A entidade também acompanha com preocupação o cenário geopolítico internacional. Segundo a Abimaq, tensões envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã podem trazer novas variáveis negativas ao mercado global, com possíveis impactos ainda não totalmente incorporados às projeções do setor.

Diante desse contexto, a expectativa da associação é de um ano mais fraco para a indústria de máquinas agrícolas. A projeção atual aponta queda de 8% no faturamento em 2026 na comparação com 2025, com possibilidade de revisões caso o cenário econômico continue adverso.

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