A produção brasileira de feijão na safra 2025/26 está estimada em 2,9 milhões de toneladas, segundo o sexto levantamento da safra de grãos divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O volume representa uma queda de 4,7% em relação à safra anterior, quando foram produzidas cerca de 3,1 milhões de toneladas.
A retração é resultado, principalmente, da redução da área plantada, estimada em 2,58 milhões de hectares, recuo de 4,2% em comparação com o ciclo anterior. A produtividade média também apresenta leve diminuição, projetada em 1.130 quilos por hectare, o que representa queda de 0,6%.
De acordo com a Conab, a redução na produção está associada principalmente à menor rentabilidade do feijão no momento da decisão de plantio, especialmente quando comparada a outras culturas concorrentes por área, como soja e milho. Além disso, problemas fitossanitários, como a incidência de mosca-branca em algumas regiões produtoras, também influenciaram na diminuição da área destinada à cultura.
Cultura importante na alimentação
O feijão tem papel central na alimentação dos brasileiros e é considerado uma das culturas mais tradicionais da agricultura nacional. A leguminosa é cultivada nas cinco regiões do país e praticamente em todos os estados, com destaque para três principais grupos: feijão-comum cores, feijão-comum preto e feijão-caupi.
Além da importância alimentar, a cultura também possui grande relevância agronômica, principalmente por apresentar ciclo fenológico curto, o que permite aos produtores ajustarem o cultivo dentro de janelas menores e, muitas vezes, combinarem o plantio com outras culturas no mesmo ano-safra.
No Brasil, o cultivo ocorre em três períodos distintos ao longo do ano:
- Primeira safra: semeadura entre agosto e dezembro;
- Segunda safra: plantio de janeiro a abril;
- Terceira safra: semeadura entre maio e julho.
Esse calendário permite que haja oferta relativamente constante do produto ao longo do ano no mercado interno.
Primeira safra registra redução de área
Na primeira safra 2025/26, a área cultivada foi estimada em 807,2 mil hectares, abaixo do registrado no ciclo anterior. A produção está projetada em 954 mil toneladas, com produtividade média de 1.182 quilos por hectare.
Entre os principais estados produtores, a colheita já está praticamente concluída em várias regiões. Em estados como Minas Gerais, Paraná e Goiás, as lavouras tiveram desempenho considerado satisfatório, embora alguns problemas tenham sido registrados.
Em Minas Gerais, por exemplo, a colheita avançou com bom ritmo, mas lavouras mais tardias sofreram impactos da mosca-branca e de irregularidades climáticas, reduzindo o potencial produtivo. Já no Paraná, a redução de área plantada foi influenciada principalmente pela queda nos preços do feijão e maior rentabilidade do milho.
Segunda safra começa a ser implantada
O plantio do feijão segunda safra está em fase inicial em várias regiões do país. Tradicionalmente semeada entre janeiro e abril, essa etapa ainda depende da colheita de outras culturas, como soja e milho, para avançar em ritmo mais intenso.
A Conab estima que a área cultivada na segunda safra seja de 1,34 milhão de hectares, com produção prevista de 1,26 milhão de toneladas.
Em estados como Paraná e Mato Grosso, o plantio já apresenta avanço, embora algumas áreas enfrentem desafios relacionados ao estresse hídrico e às altas temperaturas, que podem comprometer o estabelecimento das lavouras.
Mercado e consumo
Mesmo com a redução na produção, o consumo interno de feijão no Brasil permanece estável, estimado em cerca de 2,7 milhões de toneladas para as safras 2024/25 e 2025/26.
Por outro lado, as exportações devem cair significativamente. Após atingir 533,2 mil toneladas na safra 2024/25, impulsionadas por preços internos mais baixos e maior disponibilidade de produto, a previsão para o atual ciclo é de apenas 214,3 mil toneladas, devido à menor oferta interna.
Apesar disso, os estoques finais devem apresentar leve aumento. A projeção da Conab indica que o volume pode chegar a 159,3 mil toneladas ao final da safra 2025/26, ante 135,9 mil toneladas no encerramento do ciclo anterior.
A tendência para os próximos meses dependerá principalmente das condições climáticas durante o desenvolvimento da segunda safra e do comportamento dos preços no mercado interno.
