Mercado do cacau registra forte volatilidade nas cotações em 2026

Após recordes históricos em 2024 e 2025, preços da commodity passam por correção no mercado internacional e no Brasil

Luiz Eduardo Souza

O mercado global de cacau vive um período de forte volatilidade nos preços após os recordes registrados nos últimos anos. Em 2026, as cotações da amêndoa apresentam movimento de correção, refletindo mudanças nas perspectivas de oferta e demanda no mercado internacional.

Na bolsa de Nova York, referência mundial para a commodity, contratos futuros para maio de 2026 chegaram a ser negociados próximos de US$ 2.958 por tonelada no início de março, com recuperação pontual após quedas recentes.

Nas semanas anteriores, os preços haviam recuado significativamente. O contrato para maio chegou a fechar em torno de US$ 2.888 por tonelada, refletindo expectativas de aumento da oferta global.

A queda recente ocorre após um período de valorização histórica do cacau. Em 2024, a commodity atingiu níveis recordes, superando US$ 11,5 mil por tonelada, impulsionada por problemas climáticos e baixa produtividade nos principais países produtores da África Ocidental, como Costa do Marfim e Gana.

Com a perspectiva de recuperação da produção nesses países e possível excedente global estimado em cerca de 267 mil toneladas para os próximos ciclos, o mercado passou a ajustar as cotações para baixo.

No Brasil, os preços também refletem essa movimentação internacional. Levantamentos recentes indicam valores em torno de R$ 160 por arroba na Bahia, R$ 640 por saca no Espírito Santo e cerca de R$ 10 por quilo no Pará, principais estados produtores.

O comportamento das cotações segue influenciado por fatores como clima nas regiões produtoras, estoques globais, ritmo de moagem da indústria de chocolate e oscilações cambiais. Apesar das quedas recentes, analistas apontam que o mercado ainda permanece atento às condições climáticas na África e ao consumo mundial de chocolate, que podem voltar a pressionar os preços nos próximos meses.

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