Novos materiais de pimentas desenvolvidos pela Embrapa Hortaliças estão em fase de desenvolvimento e validação junto a produtores rurais. As novas cultivares foram criadas para atender diferentes nichos de mercado, que vão desde a produção agrícola e a indústria de processamento até o segmento de plantas ornamentais.
O grupo inclui duas variedades do tipo jalapeño, indicadas para processamento de molhos ou desidratação; uma pimenta do tipo murupi, que pode ser destinada ao consumo fresco ou ao processamento em molhos e conservas; uma pimenta-de-cheiro, voltada ao consumo in natura; e uma cultivar ornamental, recomendada para cultivo em vasos.
Os materiais fazem parte do programa de melhoramento genético de pimentas do gênero Capsicum desenvolvido pela Embrapa Hortaliças. O projeto busca criar cultivares com características agronômicas, industriais e funcionais superiores, com foco em produção sustentável e maior competitividade no mercado.
Segundo a pesquisadora Cláudia Ribeiro, que coordena o programa de melhoramento genético de pimentas e pimentões, a continuidade dos estudos é essencial para atender às demandas do setor produtivo e ampliar o portfólio de cultivares disponíveis.
De acordo com a pesquisadora, há grande demanda por variedades com melhor desempenho agronômico e adaptadas a diferentes sistemas de produção, especialmente ao cultivo orgânico. Outro foco é o desenvolvimento de materiais mais adequados à colheita mecanizada ou semimecanizada.
O programa de melhoramento genético da Embrapa já existe há mais de quatro décadas e disponibilizou cultivares de diversos grupos varietais, como jalapeño, páprica, dedo-de-moça, biquinho, bode e habanero, além de um híbrido porta-enxerto para pimentão.
Banco genético impulsiona pesquisas
Os avanços do programa são sustentados pela coleção de germoplasma de pimentas da Embrapa, considerada a maior da América Latina. O acervo reúne cerca de 2 mil acessos, que servem de base para um programa de melhoramento com mais de 30 mil materiais genéticos.
Essa base permite o desenvolvimento de cultivares mais produtivas, resistentes a doenças e alinhadas às demandas da cadeia produtiva e do mercado consumidor.
Picância é medida pela Escala de Scoville
A intensidade da ardência das pimentas é medida pela Escala de Scoville, criada em 1912 pelo farmacêutico norte-americano Wilbur Scoville. A escala mede a pungência das pimentas em unidades de calor (SHU), que indicam a concentração de capsaicina, composto responsável pela sensação de picância.
De forma geral, pimentas consideradas suaves apresentam até 5 mil SHU, as moderadas ficam entre 5 mil e 50 mil SHU, e as mais picantes ultrapassam 50 mil SHU.
Entre os exemplos de cultivares já desenvolvidas pela Embrapa estão a BRS Sarakura, do tipo jalapeño, com potencial produtivo de até 60 toneladas por hectare, a BRS Mari, do tipo dedo-de-moça, e a BRS Juruti, do grupo habanero, conhecida pelo alto nível de picância.
Além da produção agrícola, as pimentas vêm ampliando espaço no mercado gastronômico e de alimentos processados, especialmente na produção de molhos, conservas, pastas fermentadas e blends, com diferentes níveis de ardência, aromas e cores.
