A Embrapa anunciou o lançamento dos programas Milho Baixo Carbono (MBC) e Sorgo Baixo Carbono (SgBC), iniciativas voltadas à produção agrícola sustentável e à redução das emissões de gases de efeito estufa no campo. Os programas serão apresentados oficialmente nesta terça-feira (11), durante a comemoração dos 50 anos da Embrapa Milho e Sorgo, em Minas Gerais.
As iniciativas ampliam o portfólio de soluções da empresa voltadas à agricultura de baixo carbono e buscam aumentar a competitividade das culturas de milho e sorgo em mercados cada vez mais exigentes em relação à sustentabilidade. A proposta é desenvolver protocolos de certificação baseados em critérios técnico-científicos capazes de medir a intensidade das emissões de gases de efeito estufa por tonelada de grão produzida.
Segundo pesquisadores da Embrapa, os programas serão estruturados em duas etapas. A primeira consiste na elaboração e validação de diretrizes técnicas para os protocolos de certificação. Já a segunda prevê a implementação dos selos de certificação no mercado, por meio de certificadoras habilitadas, permitindo identificar produtos cultivados com práticas sustentáveis.
De acordo com o pesquisador Arystides Resende Silva, o cálculo das emissões será realizado a partir da validação dessas diretrizes e seguirá o sistema MRV (Medição, Relato e Verificação), modelo amplamente utilizado em programas de monitoramento ambiental. A certificação será voluntária e realizada por terceiros.
Durante a fase de desenvolvimento, os protocolos serão testados em unidades de observação ao longo de três ciclos produtivos. Nessas áreas, serão avaliados dados como uso de insumos, operações mecanizadas e balanço de carbono no solo, permitindo estimar as emissões ao longo de todo o processo produtivo.
Outro diferencial das iniciativas é o foco no produto final e não na propriedade rural. Os selos de milho e sorgo de baixo carbono buscam destacar grãos produzidos com maior eficiência produtiva por unidade de carbono emitida, incentivando práticas que reduzam emissões sem comprometer a produtividade das lavouras.
A abertura de edital público para selecionar instituições apoiadoras dos programas está prevista para agosto de 2026. A participação de parceiros públicos e privados será fundamental para validar os protocolos em condições reais de campo e garantir que os indicadores de sustentabilidade sejam aplicáveis à realidade do setor.
Os novos programas se somam a outras iniciativas da Embrapa voltadas à descarbonização da agropecuária, como as marcas-conceito Carne Baixo Carbono, Soja Baixo Carbono e Trigo Baixo Carbono, que também buscam agregar valor aos produtos agrícolas brasileiros por meio da certificação de práticas sustentáveis.
