A expectativa de elevar ainda mais o nível de qualidade dos cafés produzidos no Acre marcou o segundo dia do Curso de Formação de Baristas, promovido pela Secretaria de Estado de Agricultura do Acre, nesta quarta-feira, 11. A capacitação reúne produtores e técnicos da cafeicultura com o objetivo de aprimorar o preparo da bebida e fortalecer a valorização dos cafés especiais do estado, o que também deve impactar diretamente no nível das amostras apresentadas no QualiCafé.
Durante a programação, os participantes aprofundaram conhecimentos sobre atributos dos cafés especiais e os impactos da matéria-prima no resultado sensorial, além de temas como frescor e armazenamento do café torrado, métodos de preparo e infusão por gravidade e pressão, equilíbrio entre acidez e amargor e estratégias para extrair cafés com mais corpo ou mais doçura.
Também foram discutidos tipos de amêndoas, elementos que influenciam no preparo da bebida e uma introdução aos conceitos de extração e concentração do café, conteúdos que ajudam os produtores a entender como o café que produzem se expressa na xícara.
A chefe do Núcleo de Cafeicultura do estado, Michelma Lima, destacou que o curso representa um passo importante para fortalecer a cadeia produtiva do café no estado.
Segundo ela, a capacitação aproxima quem produz de quem consome o café, permitindo que os produtores compreendam melhor como a bebida é preparada e como os atributos sensoriais se manifestam na xícara.
“Esse curso voltado para barista é essencial porque está unindo quem produz com o consumidor. Os produtores já estão produzindo cafés de qualidade superior e agora aprendem como preparar esses cafés de forma que expressem na xícara todos os aromas e sabores”, afirmou.
De acordo com Michelma, o mercado de cafés especiais vem crescendo e abrindo novas oportunidades para os produtores acreanos, especialmente com o avanço do robusta amazônico, que vem conquistando consumidores dentro e fora do país.
“É um novo nicho de mercado. Diferente do café commodity, o café especial tem um público específico. Nós iniciamos esse trabalho há cerca de quatro anos e a cada ano cresce o número de produtores interessados em produzir cafés de qualidade superior”, explicou.
Ela também destacou que a formação pode contribuir para elevar ainda mais o padrão de qualidade dos cafés produzidos no estado. “O produtor passa a entender melhor o que está produzindo e consegue identificar na xícara os aromas e sabores do seu café. Isso aumenta o interesse em produzir cafés cada vez melhores”, completou.
Para os produtores, a capacitação representa uma oportunidade de compreender melhor o próprio produto e melhorar a comercialização. É o que destaca Lucas Santos, primeiro acreano a conquistar a certificação internacional Q Grader, que habilita profissionais a avaliar cafés especiais.
“É uma oportunidade gigante para nós produtores. Além de produzir o café, agora temos a chance de aprender como trabalhar esse produto e apresentar ao consumidor a real essência do café”, disse.
Segundo Lucas, compreender o resultado do café na xícara ajuda o produtor a valorizar ainda mais o próprio produto. “Isso ajuda cada produtor a vender melhor o seu café, porque ele passa a saber exatamente o que tem no produto que está entregando ao cliente. É um avanço enorme para a cafeicultura do nosso estado”, concluiu.
