Preços globais dos alimentos voltam a subir em fevereiro, aponta FAO

Alta foi puxada por trigo, óleos vegetais e carnes, enquanto açúcar e lácteos registraram queda no período

Luiz Eduardo Souza

O Índice de Preços dos Alimentos da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) registrou alta em fevereiro, interrompendo uma sequência de cinco meses consecutivos de queda. O indicador atingiu média de 125,3 pontos, avanço de 0,9% em relação a janeiro, embora ainda esteja 1,0% abaixo do patamar observado no mesmo mês de 2025.

O aumento foi impulsionado principalmente pela valorização do trigo, dos óleos vegetais e de alguns tipos de carne, que compensaram a redução nas cotações do açúcar e dos laticínios, especialmente do queijo.

O subíndice de cereais avançou 1,1% frente a janeiro. A alta foi liderada pelo trigo, refletindo relatos de geadas em regiões da Europa e dos Estados Unidos, além de dificuldades logísticas persistentes na Federação Russa e na região do Mar Negro. Já o índice do arroz teve aumento de 0,4%, sustentado pela demanda constante por variedades especiais.

Entre os óleos vegetais, o subíndice subiu 3,3% em fevereiro, atingindo o maior nível desde junho de 2022. O avanço foi puxado pelo óleo de palma, influenciado pela forte demanda global e pela produção sazonalmente menor no Sudeste Asiático. No caso do óleo de soja, a valorização foi estimulada pela expectativa de novas medidas de incentivo aos biocombustíveis nos Estados Unidos.

O subíndice de carnes também registrou aumento, com alta de 0,8% no mês. Os preços da carne bovina foram sustentados pela forte demanda de importação por parte da China e dos Estados Unidos, enquanto a carne ovina alcançou níveis recordes no mercado internacional.

Em contrapartida, o subíndice de açúcar caiu 4,1% em fevereiro em comparação com janeiro e acumula retração de 27,3% na comparação anual, influenciado pela expectativa de oferta global ampla na atual temporada. O índice de laticínios também recuou 1,2%, pressionado pela queda nos preços do queijo, apesar da valorização da manteiga e do leite em pó.

Perspectivas para 2026

A FAO também divulgou novas projeções para a produção mundial de trigo em 2026, estimando um recuo de cerca de 3%, para 810 milhões de toneladas. A redução está associada à menor área plantada na União Europeia, na Rússia e nos Estados Unidos, reflexo dos preços mais baixos da commodity.

Para o milho no Hemisfério Sul, as perspectivas são mais positivas. Segundo a organização, a expansão da área cultivada e condições climáticas favoráveis devem resultar em produções acima da média na Argentina e no Brasil. Já na África do Sul, a previsão é de uma segunda safra recorde consecutiva em 2026.

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