As cotações do café recuaram em fevereiro, refletindo principalmente as condições climáticas favoráveis no Brasil. De acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), os volumes elevados de chuvas em janeiro e fevereiro beneficiaram o desenvolvimento das lavouras e mantêm a expectativa de uma safra recorde, que pode superar 66 milhões de sacas.
O movimento de queda foi mais intenso no café robusta, que registrou média de R$ 1.065,95 por saca de 60 kg em fevereiro, retração de 16,3% frente a janeiro, segundo indicadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). Já o arábica apresentou média de R$ 1.874,63 por saca de 60 kg, com recuo de 14,1% no mesmo período.
A pressão sobre o robusta ocorre em um contexto de recuperação produtiva e maior oferta, tanto no Brasil quanto no cenário internacional. A projeção é de que a produção mundial de café na safra 2026 se aproxime de 180 milhões de sacas, indicando um processo de normalização do abastecimento após períodos recentes de quebra de safra e preços elevados.
No caso do robusta, o impacto é ainda mais sensível por se tratar de uma variedade amplamente utilizada na indústria de café solúvel e em blends, além de ter forte presença em estados como Espírito Santo e Rondônia. Com a perspectiva de maior oferta, o mercado passa por ajuste técnico, reduzindo as cotações no curto prazo.
