Atuar em um setor historicamente masculino ainda impõe desafios, mas o cenário vem mudando. Para a engenheira agrônoma Thays Uchoa, o próprio nome da empresa chama atenção e ajuda a provocar reflexões sobre o papel da mulher no campo.
Segundo ela, no início houve situações que evidenciaram o preconceito velado. Em um episódio recente, um produtor chegou ao escritório dizendo que gostaria de falar com o “dono” da empresa. Ao ser informada de que estava diante da proprietária, ele ficou constrangido. Casos como esse, de acordo com Thays, estão se tornando cada vez mais raros.
“Hoje está mais tranquilo”, afirma. A presença feminina na assistência técnica vem sendo naturalizada com o tempo e com os resultados apresentados no campo. A engenheira também aponta que, além da questão de gênero, a idade foi outro fator que gerou desconfiança no início da trajetória da empresa.
Conquistar os primeiros clientes exigiu persistência. No entanto, o reconhecimento veio com o trabalho. Atualmente, muitos produtores chegam por indicação e recomendação. “Eles mesmos dizem que podem ir ao escritório que elas resolvem”, relata.
Apesar de contar com parceiros e técnicos na equipe, as próprias sócias fazem questão de realizar a maioria das visitas às propriedades. A proximidade com o produtor e o acompanhamento direto reforçam a confiança construída ao longo dos anos.
A experiência da Agro com Elas demonstra que o espaço feminino no agronegócio não é apenas uma pauta de representatividade, mas uma realidade construída com formação técnica, competência e resultados práticos no campo acreano.