O uso irregular de agrotóxicos e a pulverização aérea clandestina com drones voltaram ao centro do debate durante entrevista do apicultor Anselmo Forneck ao AC24Cast. Com 47 anos de experiência na atividade, ele afirma que o problema vai além da falta de diálogo e envolve falhas graves na fiscalização.
“É muito difícil. Em primeiro lugar, só temos um drone no Acre autorizado para fazer pulverização. E nós temos mais de 200 operando, todos clandestinamente. Esse é o primeiro problema”, declarou Forneck. Segundo ele, essa realidade gera prejuízos não apenas para as abelhas, mas também para pequenos produtores da região da Transacreana.
“Foram várias denúncias ano passado. Na Transacreana, vários produtores perderam a produção toda. Macaxeira, milho, morreu tudo por conta de fazendeiros que usaram drone, que não respeitaram as normas do Ministério Público e do meio ambiente”, relatou. O apicultor também relembrou o caso histórico da antiga Alcoolbrás, quando pulverizações aéreas destruíram colmeias e provocaram contaminação de pessoas na região, incluindo crianças.
No entanto, Hudson Veras, engenheiro florestal e sócio da Agrotech – Drones Agrícolas, empresas autorizada na venda dos modelos agrícolas da marca DJI, afirma que muitos proprietários usam para uso próprio, em suas propriedades, até desconhecem da necessidade da regularização, já que não atuam na prestação de serviços, essa categoria basta credenciar a aeronave na ANAC, ter um piloto agrícola habilitado com curso CAAR (Curso de Aplicação Aeroagrícola Remota) e finalização do registro junto ao MAPA (Ministério de Agricultura e Pecuária).
Dados oficiais do MAPA mostram que, no Acre, existem atualmente seis registros ativos de empresas autorizadas a operar drones agrícolas e 11 aeronaves registradas. Os municípios com empresas credenciadas são Rio Branco, Cruzeiro do Sul, Sena Madureira e Senador Guiomard. Segundo Hudson Veras, embora os registros oficiais ainda sejam limitados, existem protocolos de formalização e credenciamento de empresas agrícolas em processo de análise junto ao MAPA, representando avanço significativo na regulamentação e no treinamento de operadores.
A Agrotech – Drones Agrícolas, atua na venda de aeronaves, manutenção, fornecimento de peças e cursos de operadores de drones. Os cursos abordam temas de segurança, mapeamento e compreensão técnica, somando 16 horas de prática, garantindo que os operadores estejam aptos a utilizar a tecnologia de forma responsável e segura.
A discussão evidencia a necessidade de conciliar tecnologia agrícola e proteção ambiental. Enquanto os drones oferecem vantagens para a produção, a presença de fiscalização intensiva é necessária para regularização do setor e cuidados ambientais, a educação de operadores e o cumprimento rigoroso das normas técnicas são essenciais para proteger produtores, apicultores e a biodiversidade local.
