O mercado brasileiro de milho atravessa um período de transição após meses de queda nos preços. Dados da TF Agroeconômica indicam que, nos últimos 60 dias, houve uma reação técnica consistente, embora a resistência na faixa de R$ 69 para a safrinha ainda limite avanços mais firmes.
A análise aponta um fundo bem definido na faixa mais baixa do indicador, seguido de recuperação gradual, sinalizando exaustão da pressão vendedora. O movimento também sugere que o mercado começa a precificar estoques menos folgados, em meio a ajustes no cenário internacional.
Entre os fatores de alta, destaca-se a projeção do USDA para a safra 2026/2027 nos Estados Unidos. O órgão estimou área plantada de 38,04 milhões de hectares, abaixo do ciclo anterior e da média esperada pelo mercado. A produção foi projetada em 400,19 milhões de toneladas, abaixo do recorde atual, com estoques finais estimados em 46,66 milhões de toneladas, também inferiores às previsões anteriores. A demanda da indústria de etanol foi mantida em 142,25 milhões de toneladas, número que o mercado acompanha diante da expectativa de avanços na liberação do E-15 ao longo do ano.
Outro suporte vem das exportações norte-americanas. O USDA elevou a previsão de embarques para 2025/2026 a 62,27 milhões de toneladas, alta de 30,09% sobre o ano anterior, já correspondendo a 74,3% da meta total de 83,82 milhões de toneladas.
No campo baixista, pesa a incerteza em torno do E-15. O atraso na tramitação do projeto que permitiria a venda do combustível durante todo o ano gerou frustração no setor, que vê na medida potencial para ampliar de forma relevante a demanda por etanol e, consequentemente, por milho.
