O mercado brasileiro de soja encerrou a sexta-feira com cenários distintos entre as principais regiões produtoras, refletindo diferenças climáticas, logísticas e de demanda interna. Segundo análise da TF Agroeconômica, o destaque positivo veio do Rio Grande do Sul, onde as chuvas recentes trouxeram alívio após semanas de estresse hídrico e calor extremo.
Boletins oficiais da Emater/RS confirmaram que as precipitações recuperaram parte relevante das lavouras em fases críticas de floração e enchimento de grãos, etapa decisiva para o potencial produtivo. Mesmo com a melhora no campo, a comercialização física ficou paralisada, já que produtores optaram por aguardar avaliações mais precisas antes de fixar volumes e preços. O armazenamento segue sem pressão, pois a colheita ainda avança lentamente. Em Ijuí e no porto de Rio Grande a saca foi cotada a R$ 128,79, enquanto Cruz Alta marcou R$ 119,82, Passo Fundo R$ 118,10 e Santa Rosa R$ 118,94.
Em Santa Catarina, o mercado manteve estabilidade, sustentado pela forte absorção da soja pela indústria local de suínos e aves. No porto de São Francisco, a cotação permaneceu em R$ 130,50.
O Paraná registrou leve valorização, com o indicador Cepea/Esalq apontando R$ 121,25 no interior. O DERAL mantém projeção de safra recorde de 22 milhões de toneladas, embora filas no porto e nas cooperativas comecem a preocupar.
No Mato Grosso do Sul, o excesso de umidade segue atrasando a colheita e elevando custos com secagem. Dourados fechou a R$ 112,00, queda de 4,27%. Já o Mato Grosso alcançou mais de 65% da área colhida, conforme o IMEA, mas enfrenta fretes acima de R$ 490 por tonelada e armazéns lotados, cenário que pressiona margens.
