Nanotecnologia surge como aposta para tornar o arroz mais resistente à seca

Pesquisas apontam perdas de até 70% na produtividade com estiagens; até 2050, déficit hídrico pode comprometer cultivo em estados do Centro-Oeste e Norte

Redação
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O avanço das mudanças climáticas e a crescente pressão sobre os recursos hídricos colocam o arroz entre as culturas agrícolas mais vulneráveis à escassez de água no Brasil. Dados apresentados no Congresso Brasileiro de Arroz Irrigado, realizado em agosto de 2025, em Pelotas (RS), indicam que as perdas de produtividade podem chegar a 70% quando períodos de estiagem coincidem com fases críticas do desenvolvimento da planta.

As projeções para as próximas décadas acendem ainda mais o alerta. Estudos indicam que, até 2050, a disponibilidade de água pode ficar entre 40% e 60% abaixo do necessário para o cultivo de arroz de terras altas em estados como Goiás, Rondônia, Mato Grosso e Tocantins — regiões estratégicas para a produção nacional.

Diante desse cenário, pesquisadores do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Nanotecnologia para Agricultura Sustentável (INCT NanoAgro), sediado na Universidade Estadual Paulista, desenvolvem estudos voltados ao aumento da resistência das plantas ao estresse hídrico.

O trabalho é coordenado pelo professor Halley Caixeta de Oliveira e integra um conjunto de pesquisas que utilizam a nanotecnologia como ferramenta para fortalecer o sistema fisiológico das plantas, melhorar a eficiência no uso da água e reduzir a dependência dos produtores em relação aos regimes de chuva.

Segundo os pesquisadores, a aplicação de nanomateriais pode estimular respostas naturais das plantas ao estresse, favorecendo mecanismos de tolerância à seca. A tecnologia busca atuar em nível celular, ajudando a preservar processos essenciais como a fotossíntese e o desenvolvimento radicular mesmo sob condições adversas.

A discussão ganha relevância estratégica diante das políticas públicas voltadas ao abastecimento e à segurança alimentar. Recentemente, a Companhia Nacional de Abastecimento anunciou a intenção de adquirir cerca de 200 mil toneladas de arroz, enquanto o governo federal lançou o Programa Arroz da Gente, com foco no fortalecimento da produção e na estabilidade de preços.

Com a intensificação dos eventos climáticos extremos, a adoção de tecnologias capazes de aumentar a resiliência das lavouras tende a se tornar uma prioridade tanto para grandes produtores quanto para a agricultura familiar. No caso do arroz, cultura essencial na dieta do brasileiro, a inovação pode ser determinante para garantir oferta, renda no campo e segurança alimentar nos próximos anos.

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