Acre aparece de forma pontual em estoques públicos nos últimos 26 anos e registra baixa presença em itens estratégicos

Redação
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Um levantamento histórico da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), de 2000 a agosto de 2025, mostra que o Acre segue com participação pontual e de baixo volume nos registros de estoques públicos da União, um indicador que, embora não reflita toda a produção real do estado, ajuda a mapear quais produtos chegaram a integrar políticas federais de abastecimento e regulação de preços nos últimos anos.

Estoques públicos são reservas de alimentos e produtos agropecuários que ficam sob controle do governo federal, geralmente por meio da Conab, para cumprir funções estratégicas no mercado. De forma bem prática, eles servem para garantir abastecimento em momentos de crise ou falta de produto; evitar disparadas de preços, ajudando a regular o mercado; proteger produtores, quando o preço pago no mercado fica muito baixo; e atender programas sociais e ações emergenciais.

Ao analisar os dados, o Acre aparece de forma mais consistente em milho, enquanto produtos como açúcar surgem apenas em situações isoladas. Já itens associados ao consumo regional, como farinha de mandioca e feijão, praticamente não figuram nas tabelas com estoques públicos vinculados ao estado.

Observação: esta matéria desconsidera o registro de setembro de 2022 para o milho, por se tratar de um dado claramente incompatível com a série (110 mil toneladas) e tratado aqui como falha de registro.

Milho é o produto mais recorrente ligado ao Acre

Mesmo sem o pico de setembro de 2022, o milho segue como o item com maior frequência de aparição do Acre nas séries históricas da Conab. O estado aparece com registros distribuídos em vários anos, indicando presença regular em operações de estoque público, ainda que em volumes modestos.

Em 2016, por exemplo, o Acre aparece com estoque no início do ano e um salto em agosto, com números como 64 toneladas em janeiro e fevereiro, 344 toneladas em agosto, com redução gradual até zerar em dezembro.

Já em 2012, os estoques aparecem com oscilações ao longo do ano, variando de dezenas a poucas centenas de toneladas em diferentes meses.

Em 2008, a série histórica também registra movimentação de milho no Acre, com volumes menores, mas presentes em diversos meses.

Açúcar aparece no Acre apenas de forma residual

Outro produto em que o Acre aparece, mas de forma muito limitada, é o açúcar.

Em 2014, a Conab registra estoque público no estado entre agosto e outubro, com valores pequenos: 6 toneladas em agosto; 4 toneladas em setembro; 3 toneladas em outubro. Nos meses seguintes, o indicador volta a zero. A presença reduzida reforça que o Acre não integra, de forma contínua, a política federal de estoques para esse produto.

Farinha de mandioca e feijão não aparecem como estoques públicos do Acre nos anos recentes

Apesar de serem alimentos presentes no cotidiano da população acreana, a farinha de mandioca e o feijão praticamente não aparecem nos dados recentes da Conab com estoque vinculado ao Acre.

Nas tabelas mais recentes do documento, os estoques nacionais para farinha de mandioca chegam a ter movimentações em 2024 e 2025, mas o Acre não aparece entre os estados listados com volume registrado.

No feijão, a série mostra longos períodos com estoques zerados, e a retomada nacional registrada em 2023 e 2024 também não indica participação do Acre entre os estados com volumes informados.

Estoque público não é sinônimo de produção total, mas indica presença em políticas federais

A própria Conab explica que os dados do relatório se referem a estoques públicos formados por instrumentos como Política de Garantia de Preços Mínimos (PGPM), Aquisição do Governo Federal (AGF) e contratos de opção, e que as tabelas mostram o estoque existente no último dia de cada mês.

Ou seja: o levantamento não representa toda a produção do Acre, mas evidencia quais culturas entraram, em algum momento, em ações federais de compra, regulação ou abastecimento.

Confira o relatório

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