A castanha de baru, fruto típico do Cerrado brasileiro, está cada vez mais presente no mercado internacional. Extraída do baruzeiro, árvore nativa do bioma, a semente comestível vem conquistando espaço por seu alto valor nutricional e pela associação com práticas sustentáveis de manejo e conservação ambiental.
O baruzeiro se desenvolve naturalmente no Cerrado, bioma que ocupa cerca de 24% do território brasileiro. A produção de baru está concentrada principalmente nos estados de Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Também há ocorrência e extrativismo em regiões do Distrito Federal, Tocantins e oeste da Bahia. No Norte de Minas Gerais, especialmente na região do Urucuia e Grande Sertão Veredas, o fruto se tornou símbolo de geração de renda para comunidades tradicionais e cooperativas.
A recente abertura do mercado da União Europeia para a importação da castanha, autorizada em 2024, ampliou as oportunidades comerciais. Em fevereiro de 2026, produtores brasileiros apresentaram o produto na Biofach, maior feira de orgânicos da Europa, realizada em Nuremberg, na Alemanha. O movimento marca um novo momento para a cadeia produtiva, que busca consolidar o baru como ingrediente funcional no exterior.
A castanha de baru é valorizada pelo seu perfil nutricional. Possui teor elevado de proteínas, gorduras monoinsaturadas consideradas benéficas ao coração, além de minerais como zinco, ferro, potássio e cálcio. Também é fonte de fibras e vitamina E, o que amplia seu apelo junto ao público que busca alimentos naturais e funcionais.
No Brasil, a produção ocorre majoritariamente por meio do extrativismo sustentável. A colheita é feita após a queda natural dos frutos, preservando as árvores nativas do Cerrado. Esse modelo contribui para manter a vegetação em pé e fortalecer a economia local, especialmente em comunidades rurais e cooperativas agroextrativistas.
A versatilidade culinária também impulsiona a demanda. O baru pode ser consumido torrado, in natura ou incorporado a receitas doces e salgadas. No mercado internacional, já aparece em granolas proteicas, barras de cereais, pastas vegetais e bebidas à base de plantas, disputando espaço com amêndoas e outras oleaginosas tradicionais.
Com a União Europeia figurando entre os principais destinos das exportações agropecuárias brasileiras, a valorização de produtos sustentáveis e de origem conhecida favorece o avanço da castanha de baru. O crescimento da demanda externa abre novas perspectivas para estados produtores do Cerrado, ao mesmo tempo em que reforça a importância da conservação do bioma como ativo econômico e ambiental.
