Diferença da arroba impulsiona saída de bezerros do Acre e fortalece pequeno produtor

Mesmo com ICMS e custos de frete, animais seguem mais competitivos que em estados como o Mato Grosso, valorizando a produção local e equilibrando o mercado

Redação
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A diferença no valor da arroba do boi praticada no Acre em relação a outros estados é o principal fator que explica a saída de bezerros para mercados externos, movimento que, além de tornar o animal mais competitivo, contribui para a valorização da produção do pequeno pecuarista.

O fluxo de bezerros do Acre para outros estados da federação, especialmente o Mato Grosso, é resultado direto da diferença no valor da arroba do boi comercializada no estado. Considerada uma das mais defasadas do país, essa arroba acaba refletindo no preço do bezerro, tornando o animal acreano mais atrativo para compradores de fora.

De acordo com o presidente da Galileu Leilões, Marcelo Lemos, o mercado de reposição segue uma lógica clara e diretamente ligada ao boi gordo. “O que determina o preço do bezerro é a arroba do boi. Hoje, no Acre, esse é o valor mais defasado do Brasil”, afirma.

Mesmo com a incidência de custos adicionais, como o ICMS — que gira em torno de R$ 265 por animal — e o frete da carreta, o comprador externo ainda consegue fechar negócio em condições mais vantajosas do que em seu próprio estado. “O comprador paga o imposto, paga o frete e, ainda assim, o bezerro chega mais barato do que comprar no próprio Mato Grosso”, explica Marcelo.

Essa dinâmica, segundo ele, é um ajuste natural do mercado. Caso o valor da arroba no Acre se aproxime das demais praças pecuárias do país, a tendência é que esse movimento diminua. “Se subir a arroba, outros estados não vêm mais. O mercado se ajusta naturalmente”, pontua.

Para além da competitividade interestadual, esse cenário tem reflexos diretos na base produtiva da pecuária acreana. A maior parte dos bezerros comercializados é produzida por pequenos pecuaristas, muitos deles com até 100 matrizes, que passam a ter sua matéria-prima mais valorizada.

Segundo Marcelo Lemos, quando compradores externos acessam o mercado local, o efeito é positivo para quem está na ponta da produção. “Esse produto é feito, na maioria das vezes, pelo pequeno produtor. Quando ele é valorizado, o produtor consegue investir mais, melhorar a propriedade e continuar produzindo”, destaca.

Na avaliação do dirigente, esse movimento funciona como uma recompensa ao trabalho desenvolvido no campo e contribui para manter a atividade pecuária sustentável no estado, desde que haja equilíbrio entre os interesses da indústria e dos produtores.

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