Escassez de boi gordo no Acre deve pressionar mercado no curto prazo

Venda intensa de garrotes para outros estados, reposição valorizada e alto custo dos insumos reduzem oferta futura de animais para abate

Redação
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O mercado pecuário do Acre começa a dar sinais claros de que poderá enfrentar, em breve, escassez de boi gordo para abate. A avaliação é de agentes do setor, que apontam redução no número de animais disponíveis, venda acelerada de gado jovem para fora do estado e custos elevados de produção como fatores que pressionam o abastecimento dos frigoríficos no curto prazo.

De acordo com fontes do mercado, a falta de boi gordo ainda não é total, mas já é perceptível. O volume disponível para abate diminuiu, e a tendência é de agravamento nos próximos meses. A situação, segundo relatos do setor, já vinha sendo sinalizada há algum tempo, em razão da forte saída de animais do Acre.

Um dos principais pontos de atenção é a comercialização de garrotes e bois magros para outros estados, especialmente para grandes confinamentos do Centro-Sul do país. Esses animais, que seriam o futuro boi gordo do Acre, acabaram sendo vendidos antecipadamente, reduzindo a oferta local no médio prazo. Atualmente, o garrote é considerado escasso no mercado acreano.

Apesar disso, a procura segue firme no mercado de reposição, especialmente por bezerros, bezerras e animais de desmama. Dados da Scot Consultoria mostram que as categorias jovens continuam valorizadas, refletindo a baixa oferta e a expectativa de encurtamento das escalas de abate nos próximos meses.

No caso do macho anelorado, o boi magro de 12 arrobas é negociado, em média, a R$ 3.600 por cabeça, enquanto o garrote de 10 arrobas chega a R$ 3.050. Já o bezerro de 8 arrobas é cotado a R$ 2.593,75, e o animal de desmama (6,5 arrobas) atinge R$ 2.425. Entre os machos mestiços, o boi magro de 11,5 arrobas apresenta preço médio de R$ 3.060 por cabeça, enquanto o garrote de 8,5 arrobas é negociado a R$ 2.520,67.

Entre as fêmeas, as médias também indicam firmeza nos preços. A vaca boiadeira anelorada (10,5 arrobas) é comercializada em torno de R$ 2.650, enquanto a novilha de 9 arrobas alcança R$ 2.287,50. No caso das fêmeas mestiças, a vaca boiadeira registra preço médio de R$ 2.252,50, e a novilha de 8,5 arrobas gira em torno de R$ 1.944,50.

Outro fator que pesa sobre a pecuária acreana é o alto custo dos insumos. A saca de milho no estado — principal componente da ração utilizada em sistemas de semiconfinamento e confinamento — varia entre R$ 85 e R$ 90, enquanto em estados como Mato Grosso o valor médio é de cerca de R$ 60. O mesmo ocorre com o sal mineral, vendido no Acre por aproximadamente R$ 128 a saca, contra preços entre R$ 65 e R$ 70 em Goiás e Mato Grosso.

Mesmo com esse cenário de custos elevados, o preço da arroba do boi gordo no Acre segue entre os mais baixos do país. Enquanto em São Paulo a arroba já alcança patamares próximos de R$ 350, no mercado acreano o boi gordo gira em torno de R$ 280, e a vaca, cerca de R$ 260, em valores médios.

A combinação de arroba barata, insumos caros e escassez de reposição torna a atividade ainda mais desafiadora no estado. Produtores avaliam que, caso a falta de boi gordo se confirme nos próximos meses, o mercado local poderá sofrer pressão nos preços, acompanhando — ainda que com atraso — os movimentos observados nas grandes praças pecuárias do país.

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