A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) divulgou ontem (5) o 1º Levantamento da Safra de Café em 2026. O documento é um relatório oficial com estimativa para a safra cafeeira de 2026. Em cada região, a companhia estatal cita a perspectiva em destaque nos estados. O Acre não é sequer citado. No Norte, apenas Amazonas e Rondônia são detalhados.
A ausência chama atenção porque o Acre possui todos os indicativos melhores do que o Amazonas. Sem contar que a produtividade da produção cafeeira acreana é maior do que a média nacional. Enquanto o país produz 46 sacas por hectare, o Acre oferece 55,5 sacas por hectare. E com um detalhe: apenas 14% das lavouras acreanas são irrigadas.
“Vamos sentar com a Conab para que os critérios e metodologias sejam melhor ajustados”, afirmou a coordenadora do Núcleo da Cafeicultura da Secretaria de Estado de Agricultura, Michelma Lima. “Os números do IBGE são outros, por exemplo. Estamos seguros de que quando o produtor acreano tiver acesso a algumas tecnologias ainda ausentes das lavouras, nós vamos nos surpreender ainda mais com a produtividade acreana”.
Para o IBGE, a estimativa informada para a Seagri é de que a safra de canephora é de quase 7 mil toneladas. A estimativa do IBGE para a safra de café no Acre é mais do que o triplo do que prevê a Conab para o Amazonas, com 2.322.000 toneladas.
Sobre essa questão do acesso a tecnologias, a coordenadora faz comparações em relação a outras regiões do país. “Outro ponto importante é que apenas cerca de 14 a 16% das áreas de café no Acre são irrigadas, enquanto em muitos estados tradicionais a irrigação e o uso intensivo de tecnologia são praticamente indispensáveis para garantir produção. Mesmo assim, o Acre mantém índices elevados de produtividade”, defende Lima. “Isso demonstra que o Estado tem um enorme potencial de crescimento, especialmente com a ampliação do uso de tecnologia, irrigação, manejo nutricional e assistência técnica. Ou seja, hoje produzimos muito bem em pouca área, e isso nos coloca em uma posição estratégica para avançar ainda mais nos próximos anos”.
No país, Conab estima novo recorde com estoque global de café baixo
A primeira estimativa para a produção de café em 2026 aponta para uma produção de 66,2 milhões de sacas beneficiadas, um aumento de 17,1% em relação ao volume registrado no ciclo do ano anterior.
O incremento da área em produção é estimado em 4,1%. Isso equivale a uma área de 1,9 milhão de hectares comparado ao ciclo anterior. A produtividade também foi revisada a mais pela companhia. “Deve registrar uma elevação de 12,4% em relação à safra passada”, diz o material de divulgação oficial. “É esperada uma colheita de 34,2 sacas por hectare”. Esse conjunto de dados forma um cenário em que permite à Conab afirmar que “este será um novo recorde na série histórica da Companhia, ultrapassando a safra de 2020 quando foram colhidas 63,1 milhões de sacas”.
Só em relação ao arábica, a Conab prevê uma colheita de 44,1 milhões de sacas na atual safra, aumento de 23,3% sobre o ciclo passado. Essa elevação é atribuída ao crescimento de área em produção, às condições climáticas mais favoráveis e à bienalidade positiva (alternância entre ciclo de alta produção e baixa produção).
Para o conilon, a estimativa é de 22,1 milhões de sacas, alta de 6,4% sobre a produção em 2025. “Isso pode estabelecer um novo recorde registrado pela Companhia, efeito do crescimento da área em produção e das condições climáticas mais favoráveis até o momento”, diz a Conab.
Principais Estados produtores do país
A estimativa da safra 2026, segundo a Conab, é a seguinte entre os estados com maior produção no país:
Estado – Sacas
Minas Gerais – 32,4 milhões
Espírito Santo – 19 milhões
São Paulo – 5,5 milhões
Bahia – 4,6 milhões
Rondônia – 2,7 milhões
