A Embrapa disponibilizou a Central de Inteligência em Saúde Suína (CISS), uma plataforma que integra e analisa dados sanitários de granjas de todo o país para apoiar a tomada de decisão, fortalecer a vigilância epidemiológica, a biosseguridade, o controle de doenças e a sustentabilidade da suinocultura brasileira.
A ferramenta foi desenvolvida em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e reúne dados estratégicos provenientes de Laboratórios de Diagnóstico Veterinário (LDVs), consolidando informações de milhares de amostras coletadas em granjas brasileiras. A iniciativa busca transformar dados dispersos em inteligência sanitária aplicada à cadeia produtiva.
Santa Catarina, estado que concentra a unidade da Embrapa responsável pelo projeto, é o maior produtor e exportador de suínos do Brasil, com 17,97 milhões de animais abatidos em 2024. A saúde animal é fator decisivo para a produtividade, redução de perdas e manutenção dos padrões sanitários exigidos pelos mercados.
Entre os principais desafios monitorados estão as Doenças do Complexo Respiratório Suíno (PRDC), responsáveis por perdas econômicas relacionadas à redução de ganho de peso, aumento da mortalidade, maior uso de antibióticos e condenação de carcaças. A CISS permite acompanhar a ocorrência de agentes como Mycoplasma hyopneumoniae, circovírus suíno tipo 2 (PCV2), vírus da influenza suína e outros patógenos.
No projeto-piloto, a plataforma analisou mais de 253 mil amostras submetidas a testes de PCR para Mycoplasma hyopneumoniae entre 2019 e 2025, identificando tendências e sazonalidade da pneumonia enzoótica suína, com maior ocorrência no primeiro semestre de 2022. Os estados com maior volume de análises foram Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.
Além do monitoramento sanitário, a CISS adota o conceito de Saúde Única ao integrar informações relacionadas à saúde animal, humana e ambiental. Os dados consolidados subsidiam relatórios técnicos anonimizados que apoiam políticas públicas, ações de defesa sanitária e estratégias de prevenção e controle de doenças.
A iniciativa também fortalece a rede nacional de laboratórios de diagnóstico veterinário, promovendo padronização de dados, interoperabilidade de sistemas e ampliação da vigilância sanitária da suinocultura brasileira.
