Conversando sobre o que é, de fato, estratégico

Precisa-se entender, de uma vez por todas e de forma absurdamente urgente, que o fator climático precisa ser observado com a gravidade necessária pelos atores dos diversos segmentos do setor produtivo

Redação
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O fato mais importante da semana nas questões econômicas regionais não foi a arenga dos produtores com os frigoríficos; não foi a possível presença de um núcleo do MST no Acre; não foi nem mesmo o anúncio da habilitação de um frigorífico local para exportar para a Indonésia, a nova menina dos olhos da Ásia. Tudo isso é importante, claro. São discussões que tratam de situações pontuais que, com racionalidade, podem ser resolvidas com o mínimo de razoabilidade. Mas nada disto se compara ao que foi oferecido pela 1ª Cúpula Climática Ecumênica do Estado do Acre.

E o que foi isto, afinal de contas?

Esse encontro é tecnicamente chamado de “escuta qualificada”.

Nossa! Mas como falam difícil! E o que é uma “escuta qualificada”?

Chama-se assim, quando um conjunto de pessoas, com autoridade em um determinado tema, debatem os vários fatores envolvendo um ou vários problemas de ordem pública, registram um documento com propostas consensuadas e tentam, com esse documento em mãos, interferir, influenciar, pressionar a agenda coletiva em todas as esferas da administração, incluindo a administração privada, nas suas instâncias de representação. Em síntese, é isto.

Então, é, na prática, um monte de intelectual debatendo sobre alguma coisa? É mais um blábláblá…! O que, de prático, pode surgir disto?

Bom… sobre ser um conjunto de intelectuais debatendo… é preciso tomar cuidado. São pessoas que têm autoridade para tratar dos assuntos discutidos. Podem ser “intelectuais” ou não. Essa palavra é controversa e pode vir carregada de preconceito. É preciso tomar cuidado. Sobre ser um “blábláblá”… isso é algo que precisamos, de fato, conversar. Por que a Cúpula Climática foi considerada o fato mais importante da semana? Justamente porque as questões relacionadas às mudanças climáticas exigem reação prática e urgente de todos, seja dos governos, das empresas, seja do cidadão comum. Não há mais tempo para retrocessos ou vacilos. A Cúpula oferece, justamente, esse chamamento à ação. Ou desperta-se para isto, ou todos vão ser impactados negativamente com os efeitos. Aliás, já estamos sofrendo.

O que, de prático, foi definido?

O site ac24agro publicou, em reportagem feita na última sexta-feira (30), a íntegra da Carta Manifesto da Cúpula Climática. São 10 pontos de compromisso assumidos e três ações práticas de repercussão imediata. É a sociedade civil organizada oferecendo uma qualificação do debate público como poucas vezes se viu. Esse debate é da ordem do dia para produtores agrícolas, produtores pecuários, industriários… é importante para todos. Os eventos climáticos extremos são a certeza de prejuízos para quem produz agricultura ou pecuária. Negar isso é assinar uma sentença perigosa. E pior: sem retorno.

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