O avanço das lavouras de milho e soja no Brasil, aliado ao bom desempenho das exportações ao longo de 2025, reforça o protagonismo dos dois grãos na balança comercial do agronegócio. Dados consolidados pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) indicam que, mesmo com desafios climáticos pontuais e oscilações no mercado internacional, a produção avança de forma consistente nas principais regiões produtoras, sustentando elevados volumes de embarque.
No caso do milho, até 12 de janeiro de 2026 haviam sido semeados 89,9% da área estimada da primeira safra. Em Minas Gerais, as lavouras seguem em boas condições, com áreas irrigadas já em fase de maturação. No Rio Grande do Sul, apesar da alta umidade dos grãos, a colheita avançou com maior intensidade, impulsionada pela necessidade de liberar áreas para o plantio da soja. Na Bahia, o desenvolvimento das lavouras é considerado satisfatório, sem registros relevantes de pragas ou doenças. No Piauí, o plantio avança favorecido pelas chuvas frequentes, enquanto no Paraná a redução das precipitações e as temperaturas elevadas beneficiaram as áreas em maturação.
Outros estados também registram bom desempenho da cultura. Em Santa Catarina, a maioria das lavouras está em fase reprodutiva, com bom potencial produtivo, embora produtores relatem aumento da pressão de doenças e pragas. Em São Paulo e Goiás, as condições climáticas seguem favoráveis ao desenvolvimento do cereal. Já no Pará, a irregularidade das chuvas e os baixos volumes de precipitação continuam atrasando a semeadura nos polos de Santarém e Paragominas.
O bom andamento da safra refletiu diretamente no mercado externo. As exportações brasileiras de milho em 2025 somaram 40,9 milhões de toneladas, superando o volume registrado em 2024. O escoamento ocorreu, principalmente, pelos portos do Arco Norte, que responderam por 39,3% dos embarques, seguidos pelo Porto de Santos, com 35,8%, e por Paranaguá, que ampliou de forma expressiva sua participação. Mato Grosso, Paraná, Goiás e Mato Grosso do Sul lideraram as vendas externas do cereal.
Na soja, o cenário também é positivo. Até a divulgação das últimas estimativas da Conab, 98,2% da área prevista já havia sido semeada. Em Mato Grosso, a colheita teve ritmo mais cadenciado devido às chuvas, mas deve ganhar velocidade no fim de janeiro. No Rio Grande do Sul, as precipitações favoreceram o desenvolvimento das lavouras, enquanto no Paraná o clima mais seco e quente acelerou a maturação de áreas com ciclo próximo do fim, com colheita pontual já registrada no oeste do estado.
Em Goiás, algumas áreas irrigadas já entraram em maturação, e nas demais regiões as chuvas regulares favorecem o desenvolvimento da cultura. Em Mato Grosso do Sul, a boa umidade do solo e a baixa incidência de pragas garantem bom desempenho das lavouras. Minas Gerais, Bahia e São Paulo também apresentam condições consideradas boas, com início da colheita previsto ainda em janeiro em alguns municípios. No Norte e Nordeste, enquanto o Tocantins e parte do Piauí avançam de forma satisfatória, áreas do Maranhão e do Pará ainda enfrentam dificuldades devido à irregularidade das chuvas.
O reflexo desse cenário no comércio exterior foi expressivo. As exportações brasileiras de soja em grãos atingiram 108,1 milhões de toneladas em 2025, volume significativamente superior ao registrado no ano anterior. O Arco Norte respondeu por 36,2% dos embarques, consolidando-se como corredor estratégico, enquanto o Porto de Santos concentrou 32% das exportações. Mato Grosso, Goiás, Paraná e Rio Grande do Sul foram os principais estados de origem da soja destinada ao mercado internacional.
O desempenho conjunto de milho e soja confirma o peso dos grãos na economia agropecuária brasileira e evidencia a importância da logística no escoamento da produção. Com a safra avançando no campo e a demanda externa aquecida, o Brasil segue ampliando sua presença no mercado global, mesmo diante de ajustes climáticos e de mercado que exigem atenção dos produtores e do setor logístico.
