Caso não aconteça nenhum tsunami político no Acre, Mailza Assis assume o Governo do Estado no início de abril. É a regra. Sai Gladson Camelí, candidato ao Senado, assume Mailza Assis, ela mesma candidata a continuar no Palácio Rio Branco. Para o cenário econômico, poderia ser uma mudança para além da desgastada imagem do “seis por meia dúzia”. Isso depende de Mailza.
Setores importantes da economia regional têm tomado decisões e feito investimentos à revelia da condução do Estado. O segmento da agropecuária que o diga. Muita coisa tem acontecido e a impressão que se tem é que o Governo do Acre (para lembrar a adaptar o que disse um antigo cronista) “assiste a tudo bestificado”.
O melhor exemplo que se pode lembrar é o do café na região do Vale do Juruá. O boom do café naquela região foi uma decisão do produtor (de base familiar) em consórcio visceral com o cooperativismo. Não fosse a relação visceral entre essas duas personagens, o café, dificilmente, teria tido a expansão que teve ali.
Ou alguém tem como apontar em qual outra região do Acre, nos últimos seis anos, houve o plantio de 6 milhões de pés de café? E mais: com possibilidade de ampliar para 9 milhões nos próximo dois ou três anos. Essa expansão não foi uma decisão de governo. E, nesse aspecto (é preciso ser justo), o resto do Acre vem a reboque do que acontece no Juruá. Não à toa, a Coopercafé (Cooperativa de Cafeicultores de Café do Vale do Juruá) tem servido de referência para a organização da cadeia produtiva para as demais regiões do Acre.
Por mil e um motivos (inclusive eleitorais), o Governo Federal teve nariz sensível ao movimento que foi conduzido pelo cooperativismo no extremo oeste do país. Os vapores do bom cheiro de café feito na hora tiveram como consequência R$ 15 milhões para construção do Complexo Industrial do Café do Juruá, com contrapartida da cooperativa. E, momentos após, outros R$ 5 milhões para nova unidade de beneficiamento em Cruzeiro do Sul.
O Governo do Acre tem se auto-excluído desse movimento? É claro que não! Da forma como é possível, a Seagri apoia com alguma assistência técnica, mudou a estrutura da comercialização de mudas, promoção do concurso QualiCafé, participação em fóruns e encontros nacionais e até internacionais. O que Mailza Assis precisa entender é que tudo isso ainda é pouco. Ela precisa ficar incomodada só com isso.
Um(a) governante forte, atuante, não pode se permitir cochilar em uma reunião onde estão sendo definidos rumos importantes sobre Compras Governamentais; um(a) governante forte não pode conduzir um debate tão importante desses sem sair com definições de prazos e responsabilidades para cada setor. Não são frases genéricas e vazias de sentido que vão dar o ajuste necessário às coisas daqui.
Na Pecuária, outro desafio a Mailza Assis se impõe. Não é razoável o setor industrial investir R$ 120 milhões nos últimos dois anos e correr o risco de ficar sem gado para abate porque o insumo foi comercializado para fora do Acre. E por que foi para fora do Acre? Porque o Estado tem feito vista grossa e permitido cobrança de imposto do gado comercializado abaixo do preço praticado no mercado. O produtor saca o argumento de que a indústria local paga o menor preço pela arroba do país. E ele, produtor, vende para quem paga melhor. Como esse cenário se harmoniza com o aumento da demanda da carne acreana, inclusive com abertura de novos mercados? Como a indústria vai se sustentar? Quantos empregos estão em risco? Como se posiciona Mailza Assis neste debate?
Aqui foram citados dois produtos apenas. Há outros. A ausência do Estado é sentida no setor madeireiro, no setor alimentício, no extrativismo. Mailza quer ser governadora, não quer? Mostrando ao eleitor que ela não quer um Estado coadjuvante, será uma excelente plataforma eleitoral. O eleitor e o produtor, neste cenário, confundem-se. Não vê quem não quer. Ou quem não tem olhos para enxergar.
