Brasil esgota em tempo recorde cota de carne bovina para os EUA

Escassez de carne no mercado norte-americano e redução da cota aceleraram embarques brasileiros

Luiz Eduardo Souza

O Brasil esgotou em tempo recorde a cota de exportação de carne bovina isenta de tarifas para os Estados Unidos referente ao ano civil de 2026. Segundo relatório semanal do Serviço de Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA (CBP), o volume disponível foi totalmente utilizado já no dia 6 de janeiro, impulsionado pela escassez do produto no mercado norte-americano e por mudanças recentes na política comercial do país.

O Brasil exporta carne bovina aos Estados Unidos por meio da cota de Nação Mais Favorecida (NMF), destinada a países que não possuem acordo comercial com o governo norte-americano. Esse mecanismo integra a cota geral de “Outros Países”, que historicamente já é limitada em volume.

O ritmo acelerado não é novidade, mas vem se intensificando ano após ano. Em 2025, o Brasil atingiu o limite da cota em 17 de janeiro. Em 2024, o volume foi esgotado apenas em março, enquanto em 2023 o marco ocorreu em maio, evidenciando a crescente demanda e a antecipação dos embarques.

Com o esgotamento da cota, toda a carne bovina brasileira exportada para os Estados Unidos ao longo do restante de 2026 passará a pagar a tarifa fora da cota, atualmente fixada em 26,4%, o que reduz a competitividade do produto no mercado norte-americano.

Além da forte demanda nos EUA, o esgotamento precoce foi influenciado por uma recente decisão do presidente norte-americano, Donald Trump, que determinou a retirada de 13 mil toneladas da cota de “Outros Países”, originalmente de 65 mil toneladas. O volume foi transferido ao Reino Unido como parte de um acordo de reciprocidade para o acesso da carne bovina norte-americana ao mercado britânico.

Na prática, a medida reduziu a cota disponível ao Brasil e a outros exportadores para apenas 52 mil toneladas em 2026, acelerando o preenchimento do volume permitido. Outro fator relevante foi a existência de estoques de carne bovina brasileira em armazéns alfandegados nos Estados Unidos, com liberação programada para o início do novo ano civil, o que levou exportadores a anteciparem operações para reduzir o impacto da tarifa adicional.

Sem acordo de livre comércio com os Estados Unidos, o Brasil segue em desvantagem competitiva frente a países como a Austrália, que possui uma cota bilateral isenta de tarifas de 378.214 toneladas em 2026. Até o dia 12 de janeiro, os australianos haviam embarcado 10.660 toneladas ao mercado norte-americano, o equivalente a 2,82% de sua cota anual.

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