Crédito do Plano Safra 2025/26 cai 15,6% no primeiro semestre

Desembolsos somaram R$ 186,1 bilhões até dezembro, segundo dados do BC

Luiz Eduardo Souza
Criação de gado em áreas da Resex Chico Mendes é permitida, mas precisa seguir regras de uso sustentável previstas no plano de manejo.. Operação Suçuarana - Foto: Acervo/ICMBio

Os desembolsos do crédito rural no âmbito do Plano Safra 2025/2026 registraram queda de 15,6% no primeiro semestre da safra, totalizando R$ 186,146 bilhões entre julho e dezembro de 2025. Os dados constam no Sistema de Operações do Crédito Rural e do Proagro (Sicor), do Banco Central, e foram divulgados nesta semana.

O valor representa 45,8% do volume total de recursos disponibilizados para a safra, estimado em R$ 405,9 bilhões, sem considerar operações via Cédulas de Produto Rural (CPRs). No mesmo período da safra anterior, os desembolsos haviam alcançado R$ 220,3 bilhões.

A retração foi observada principalmente nas linhas de investimento, que somaram R$ 41,49 bilhões, queda de 30,6% na comparação anual. O crédito para custeio, principal modalidade, atingiu R$ 107,49 bilhões, recuo de 15,5%. Já as operações de comercialização totalizaram R$ 18,12 bilhões, redução de 9,1%.

Na contramão, o crédito para industrialização apresentou crescimento expressivo de 40,5%, alcançando R$ 19,03 bilhões no período analisado.

Ao todo, foram firmados cerca de 1,24 milhão de contratos no primeiro semestre da safra. A agricultura familiar, via Pronaf, respondeu por R$ 37,17 bilhões, enquanto o Pronamp, voltado aos médios produtores, somou R$ 39,45 bilhões. Os grandes produtores concentraram o maior volume, com R$ 109,51 bilhões em financiamentos.

Regionalmente, o Sul liderou em volume de recursos contratados, com R$ 62,04 bilhões, seguido pelo Sudeste, com R$ 51,52 bilhões. O Nordeste registrou o maior número de contratos, enquanto o Norte respondeu por R$ 12,46 bilhões em operações.

Segundo analistas do setor, a queda nos desembolsos reflete uma combinação de menor demanda por crédito, maior cautela dos produtores diante do endividamento e critérios mais rigorosos adotados pelas instituições financeiras, mesmo com o Plano Safra 2025/26 figurando entre os maiores já anunciados.

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