A diversificação das exportações e o fortalecimento da bioeconomia colocam o Acre em uma nova fase de inserção no mercado internacional. A avaliação é do chefe da ApexBrasil no Norte do país, Pedro, que aponta produtos da sociobiodiversidade como o principal vetor de crescimento nos próximos anos.
Segundo Pedro, apesar do avanço das exportações tradicionais, como carne bovina e castanha-da-amazônia, o futuro do comércio exterior acreano passa pelo aumento do valor agregado e pela consolidação de novas cadeias produtivas.
“O Acre já exporta bem carne e castanha, mas agora começa a aparecer com mais força em outras cadeias, como o açaí, o café de Cruzeiro do Sul e o cacau”, afirmou.
Ele destacou que, mesmo após um ano difícil marcado por quebra de safra de castanha, o estado conseguiu manter volumes relevantes de exportação, o que demonstra maturidade do setor produtivo.
“No ano passado tivemos uma queda de mais de 30% na safra de castanha, por questão climática e de ciclo da cultura. Ainda assim, o Acre conseguiu manter um volume alto de exportações”, disse.
Para 2025, a expectativa é de recuperação da produção e ampliação dos negócios internacionais, especialmente com a atração de novos compradores.
“Este ano a safra está melhor, e a tendência é de crescimento. Estamos focados em trazer novos compradores de castanha do Acre e de toda a Amazônia”, explicou.
Pedro ressaltou que a bioeconomia permite integrar produção, sustentabilidade e turismo, ampliando a renda das comunidades locais.
“A ideia da Rota do Cacau é justamente integrar produção, verticalização e turismo. Você pode ter uma comunidade produzindo chocolate e recebendo turistas internacionais ali mesmo, o que agrega muito valor ao produto”, afirmou.
Ele citou exemplos já consolidados na Amazônia, como projetos de café produzidos por comunidades indígenas, que conseguiram acessar mercados de maior valor.
“Quando você agrega origem, sustentabilidade e história ao produto, ele sobe de preço. É isso que pode transformar a economia do Acre”, concluiu.
O chefe da ApexBrasil no Norte reforçou que o momento é estratégico para o estado avançar, desde que políticas públicas e apoio institucional acompanhem esse movimento de diversificação das exportações.
