O Fórum, a Economia e o futebol necessário

Os debates promovidos pelo Fórum Empresarial mostraram por que a classe empresarial está cética em relação a 2026 e como o Governo ainda não está sintonizado na mesma torcida

Redação
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O Fórum Empresarial de Inovação e Desenvolvimento do Acre, pela segunda vez, ofereceu uma oportunidade de repensar e ajustar os rumos do ambiente econômico no estado. O encontro aconteceu no fim do ano passado na sede da Federação das Indústrias e reuniu gestores públicos e empresários de diversos segmentos.

O quórum era representativo e os resultados dos debates foram transformados em relatório que o leitor do site ac24agro teve acesso na semana que passou. Alguns detalhes chamam atenção e merecem reflexão mais cuidadosa.

Quem estava presente falou o que quis, sem amarras. O encontro foi restrito. E quem quis falar não poupou latim. Poucas vezes se viu uma distância tão grande entre o que defendem os gestores públicos e o “espírito” do setor privado. A senda é enorme. No acreanês: a ribanceira é grande.

Os gestores públicos arrastam logo o tal do maior crescimento proporcional do PIB e o equilíbrio fiscal, enquanto os empresários e industriários desancam uma lista extensa de gargalos. E são situações nada subjetivas. São ponderações práticas, da rotina de quem produz, de quem comercializa ou de quem beneficia.

Os empresários estão extremamente pessimistas em relação a 2026. Em off, relatam um cenário bem mais amargo daquele apresentado no debate. Desde questões macroeconômicas, como a taxa de juros, por exemplo, até situações mais pontuais como o descompasso entre a produção agrícola e a falta de políticas protecionistas que defendam a indústria local.

O ponto consensual foi o bom momento porque passa a Agropecuária, embora muitos tenham consciência de que 2026 dificilmente repetirá a excelência do que foi o ano de 2025. Associado à agropecuária está o ambiente de construção da relação econômica com o Peru. Há um discreto coro otimista de “agora vai” quando se referem à Zona de Processamento de Exportação.

O comércio é, disparado, o segmento que mais sente os efeitos das políticas macroeconômicas: juros altos e a consequente restrição ao crédito, associado à concorrência com o comércio digital, constroem um ambiente pouco promissor para o micro empresário do varejo regional.

Da parte do governo do Estado, é preciso um ajuste ainda mais refinado. Cada segmento de relevo da economia local precisa ter segurança de que aquilo que cabe ao Governo do Acre implementar será executado. O empresário ainda não se sente seguro. Ainda há muitos gargalos de responsabilidade do governo local que não são equacionados. E que acabam travando o ambiente de negócios para quem teima em empreender por aqui.

Muitas vezes, o time de futebol tem uma equipe mais frágil. O esquema tático é elementar. Mas a torcida percebe que aquilo que o grupo tinha a oferecer e defender foi feito. Foi colocado em campo tudo o que era possível.

O Governo do Acre precisa demonstrar isso. Politicamente, será um ganho, mesmo que não se tenha o melhor resultado econômico. A parte dos produtores e dos empresários está sendo feita. Fazem muito mais do que torcer. Mas com um time só jogando na retranca nunca arriscará a fazer um gol. E isso não é bom para ninguém.

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