Sobre eleição e sobre diplomacia econômica

Diplomacia econômica comandada por Jorge Viana na Apex amplia exportações, mas críticas misturam disputas políticas e eleitorais.

Redação
Jorge Viana, presidente da Apex, comanda a diplomacia econômica que ampliou as exportações brasileiras e reacendeu disputas políticas.

Jorge Viana é pré-candidato ao Senado. Até as folhas da velha Gameleira sabem da novidade. Por esta causa, toda movimentação feita pelo ex-governador tem o carimbo do interesse eleitoral? A resposta não é tão simples. E precisa de reflexão responsável para não incorrer em injustiça. O trabalho de diplomacia econômica que vem sendo costurado pela Agência Brasileira de Promoção das Exportações e Investimentos (Apex) tem agenda de importância para a economia do país.

Jorge Viana já foi acusado pela imprensa do Sul maravilha de se movimentar priorizando ações para o Estado do Acre. E os jornalistas utilizaram a melhora do desempenho do Acre no aumento da participação do mercado externo para justificar o argumento.

Viana deixou o governo com o Acre exportando modestos (e inéditos) US$ 20 milhões. Com as ações de formação e estímulo do Exporta Mais Amazônia, com parcerias estratégicas com o Sebrae, o Acre aumentou a participação, em 2024, para US$ 87 milhões e a perspectiva é de ultrapassar US$ 100 milhões este ano.

Repare bem o leitor como é dura a vida, tanto para os gestores públicos comprometidos quanto para a iniciativa privada. São 400% de aumento nas exportações em quase 20 anos de um trabalho recheado de avanços e recuos, numa economia que cresce aos solavancos.

O Sul se sente preterido justamente porque a economia brasileira emperra em um Congresso que não observa com responsabilidade aquilo que é estratégico para o país. Antes de criticar a Apex pelo crescimento do Acre nas exportações, seria necessário criticar quem, por decisão, trabalha contra o país.

E nem é necessário muita imaginação para se perceber que a grita em alguns setores pontuais da agroindústria vai aumentar. Por exemplo: na suinocultura. Atualmente, o México importa carne suína brasileira apenas do Estado de Santa Catarina. Na recente missão liderada pelo vice-presidente Geraldo Alckmin, o governo mexicano se comprometeu em rever a postura de apenas reconhecer Santa Catarina como Área Livre de Aftosa Sem Vacinação.

Na prática, isso quer dizer que Acre e Rondônia vão disputar o mercado mexicano junto com Santa Catarina. É claro que haverá mais críticas por parte dos catarinenses. Mas é esse ajuste; é essa sintonia fina que o presidente Lula colocou como peso nos ombros de Viana ao nomeá-lo na Apex: fazer com que a cultura da exportação passasse a ser rotina na agenda do comércio local. O Exporta Mais Amazônia e o Exporta Mais Nordeste são resultados de uma decisão política, portanto. Alguém decidiu e alguém cumpriu o combinado.

Os interesses de ordem político-eleitoral de Jorge Viana ele vai saber conduzir na forma e no tom adequados, no momento certo. Já tem experiência suficiente para isso. Atualmente, com o passaporte recheado de carimbos e com decisões diárias que variam de Pequim a Paris, vai ter que anotar demandas bem mais modestas entre o Taquari, em Rio Branco, e o Miritizal em Cruzeiro do Sul.

Jorge Viana se empolgou com um mote que criou de forma espontânea durante entrevista aos colegas Marcos Venicius e Joycely Abreu na Expoacre: “onde eu estiver, tem Acre”, olhou-se. Entre Paris e o Miritizal, tem uma história de 40 anos de vida pública. O dramático é pensar que, mesmo com uma agenda qualificada com importância nacional, é possível que não haja povo onde ele estiver. São as injustiças próprias do jogo.

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