Trabalhadores rurais não ocupam a prefeitura e Seagro seleciona beneficiários

Desfecho mostra, praticamente, um “racha” no movimento dos trabalhadores e expõe falta de política agrícola

Itaan Arruda
Movimento de agricultores perde força após divisão interna e falta de resposta efetiva da prefeitura.

As 48 horas pedidas pela Prefeitura de Rio Branco para apresentar medidas concretas para os trabalhadores rurais da Transacreana esgotaram-se. A ocupação da sede administrativa no Executivo municipal não aconteceu como prometido pelos agricultores, que não viram as reivindicações atendidas.

A Secretaria de Agricultura Rio Branco manobrou as comunidades com quem já mantinha relações atendendo à lógica dos “ramais da oposição”: os agricultores que não se alinham politicamente com o prefeito não são beneficiados. Os que o criticam ficam de fora.

Vídeos que circularam na internet mostram inclusive o secretário Eracides Caetano dizendo que não “vai com a cara” do presidente do Sindicato dos Trabalhadores Extrativistas e Assemelhados (Sinpasa), Josimar Ferreira do Nascimento, o “Josa”.

A classe trabalhadora também não mostrou estar unida. As reuniões de alguns mantidas à revelia do sindicato expõe o racha no movimento dos agricultores seguindo outra lógica: “em prefeitura com pouca organização, o meu ramal primeiro”.

As mesmas redes sociais que foram importantes para mobilização que resultou no bloqueio da Estrada Transacreana foram as mesmas que parte dos trabalhadores montou grupos paralelos, excluindo o sindicato, com o argumento de que o Sinpasa estava fazendo uma suposta “politicagem”. O racha foi aproveitado pelos assessores da Prefeitura de Rio Branco.

O protocolo exigiria que, terminado o prazo pedido pela própria Prefeitura de Rio Branco, fosse chamada uma coletiva de imprensa, junto com o sindicato, e, publicamente, se estabelecesse um compromisso. Não foi isso o que a prefeitura fez. Neutralizou o movimento em ações com produtores estratégicos.

O Sinpasa vai, mais uma vez, ao Ministério Público pedir que seja feita uma mediação para que a prefeitura obedeça a um calendário que possa ser  construído coletivamente, com o aval do MPE. “Vou pedir auditoria na Seagro. Vai ser na base da Justiça”, afirmou “Josa”. 

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