Uma ata com assinatura de, pelo menos, 16 pessoas comprova os compromissos assumidos pela Secretaria de Agricultura de Rio Branco com os agricultores da Transacreana. O documento fala em “mecanização agrícola”, obras de melhoramento de ramais e até na formação de um Conselho Municipal de Agricultura. Esses compromissos foram assumidos em 2023.
Esta semana, dezenas de vídeos e áudios recentes foram tornados públicos no processo de mobilização dos agricultores da Transacreana. Os vídeos e os áudios mostram os agricultores em estradas sem a mínima condição de tráfego. Tem um caso que chama atenção: um homem que mora na Reserva Extrativista Chico Mendes puxando uma carroça por dois dias para chegar em casa.
Indignados com essa rotina, os agricultores e extrativistas bloquearam a estrada da Transacreana em protesto, exigindo obras de melhorias em ramais. Os compromissos firmados em 2023 e os protestos de 2025 dialogam em um ponto: a Prefeitura de Rio Branco não cumpriu com o que se comprometeu.
O Conselho Municipal de Agricultura seria uma instância política não apenas para avaliar política pública no setor, mas também seria uma instância deliberativa: poderia pautar a agenda da Secretaria de Agricultura de Rio Branco. Mas nada se concretizou. Foi prometida mecanização agrícola e os agricultores e extrativistas estão sem desfrutar o mínimo direito de ir e vir.
E, associado a esse problema de infraestrutura, os demais são consequência automática: Educação, Saúde e Comercialização de produtos estão um caos. No sábado, uma caminhonete usada para transporte escolar tombou em uma ribanceira por causa da lama no ramal.
Um idoso que fazia tratamento para combater hanseníase não conseguia chegar à cidade para pegar os medicamentos. Passou mal por causa da doença e teve que ser socorrido pela equipe do Ciopaer.
Sem ramal para levar a castanha extraída, os extrativistas ficam à mercê da ação dos atravessadores que pagam R$ 25 pela lata de castanha: praticamente 1/10 do preço de mercado.
O secretário de Agricultura de Rio Branco tem dado diversas entrevistas em que fala que as pessoas que estiverem dispostas a conversar, ele agiliza os beneficiamentos dos ramais. Em áudio chama de “babacas” os críticos à gestão e acabou se contradizendo. Ao tentar argumentar do porquê um determinado ramal não teve obras, saiu-se com a seguinte agressão: “Quando tem uns babacas como você é que a comunidade paga caro”.
É a lógica do “ramal da oposição”: se a comunidade apoiou um candidato que não o atual prefeito e estas pessoas criticam a atual administração, a ausência da Prefeitura de Rio Branco está explicada na fala do secretário.