O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, informou aos jornalistas que cobriam a agenda presidencial na Ásia que o Brasil vai receber o selo de país livre da aftosa sem vacinação no dia 29 de maio. O evento de entrega acontece em Paris.
Celebrado como um momento “histórico”, o contexto deveria exigir prudência. O problema se mostra endêmico na Europa, na África, em parte da América do Sul e na Ásia. Dentro do próprio país, há classificações sanitárias bem distintas, estando os estados do Acre, Paraná, Rio Grande do Sul, Rondônia e Santa Catarina os únicos classificados como Área Livre de Aftosa Sem Vacinação.
Os investimentos públicos e privados para que esses estados alcançassem essa classificação sanitária foram grandes. Nem os governos estaduais conseguiriam alcançar o resultado sozinho e muito menos os produtores isolados também não conseguiriam tampouco. Foi preciso unir esforços. Com alguns atritos uma vez ou outra, mas seguiram juntos. Os outros estavam correndo atrás.
Dentro do próprio país há diferenças singulares no nível de cuidado e de investimento na segurança sanitária do rebanho. Como, com situações tão distintas no aspecto sanitário, haverá, ancorada pela Política, uma uniformidade do país inteiro na mesma classificação? Não se registra um caso de febre aftosa no Brasil desde 2006. Quando o ministro receber o diploma em Paris, todos vão comemorar. Mas é uma alegria que exigirá prudência. Muita, aliás. E para o Clube dos Cinco vai ficar a impressão de que todo o processo premiará quem se esforçou menos em manter um rebanho saudável.