O ex-presidente da Agência de Negócios do Acre (ANAC), Inácio Moreira, comentou durante participação no Agro24Cast sobre a situação da Peixes da Amazônia S.A. e o prejuízo acumulado pelos investidores ao longo dos anos. Segundo ele, avaliar a dimensão exata das perdas não é simples, principalmente quando se observa o cenário contábil da indústria no momento em que entrou em crise.
“Eu acho que qualquer investimento tem um risco. Esse prejuízo é difícil de analisar. Do ponto de vista contábil, o que tinha ali na Peixes não tinha mais valor contábil”, afirmou. Ele destacou que, apesar da desvalorização registrada nos balanços, é possível estimar as perdas olhando para o valor atual da planta industrial. “Se você analisar pelo que a planta vale hoje, aí podemos calcular um prejuízo. Cada acionista fez um aporte inicial de meio milhão. Então, cada um desses acionistas teve esse prejuízo.”
Moreira explicou que a estrutura societária da Peixes da Amazônia sempre exigiu negociações complexas. Ao todo, eram 16 investidores com interesses distintos — entre eles o próprio governo do Acre, que mantinha participação com viés social. “Quando você vai fazer um investimento em uma empresa, na Peixes havia 16 investidores. Então você precisa dialogar com 16 pessoas diferentes, que têm interesses diferentes. O Estado era investidor nessas ações, porém com interesse social, que é dar garantia pra quem está produzindo peixe, que tem uma planta industrial que vai fornecer ração e vender o seu produto”, destacou.
Ele também comentou sobre a O.Z Earth, empresa que aparece nas últimas semanas associada ao interesse nos ativos da indústria. Segundo o ex-presidente da ANAC, a visita não foi incomum — outras companhias também avaliaram o empreendimento ao longo dos anos. “Essa empresa também esteve aqui no Acre. Não tenho muitos detalhes sobre ela, mas foi uma das várias que estiveram lá prospectando, foram visitar a Peixes da Amazônia.”
Para Moreira, o caso da Peixes ilustra a diferença entre o valor contábil e o valor real de um ativo, além de mostrar como a multiplicidade de acionistas e de interesses torna lenta qualquer tomada de decisão. Ainda assim, ele afirma que a estrutura industrial permanece como um ativo importante para o setor aquícola do Acre, mesmo que os acionistas originais tenham contabilizado perdas significativas.